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1. Importância do estudo do sistema radicular

A configuração espacial (= arquitetura) do sistema radicular condiciona o acesso das plantas aos recursos retidos no solo. Se uma qualquer planta é capaz de absorver mais água e nutrientes do que as suas vizinhas, tem condições para produzir mais biomassa e uma maior superfície fotossintética, com folhas mais eficientes na captura de luz. Isso maximiza o crescimento, a sobrevivência e, por fim, a produção de descendentes. A arquitetura da raiz é, assim, determinante na fitness dos indivíduos. A importância do estudo da arquitetura e da fisiologia do sistema radicular e da canópia das plantas é equivalente.

Para compreender a distribuição espacial e o funcionamento das raízes em condições de campo, é necessário extrair cilindros de solo com sondas e separar, classificar, medir e pesar cuidadosamente as raízes; abrir valas e analisar o perfil do solo; ou dispersar as partículas do solo com água ou ar sob pressão, por exemplo. Os métodos não invasivos, adequados a estudos diacrónicos das raízes, são caros e enfrentam dificuldades técnicas. A canópia das plantas, pelo contrário, está exposta à observação e é muito mais rica em caracteres macroscópicos do que a raiz. Sabe-se, por isso, muito mais sobre a arquitetura da parte aérea das plantas do que sobre a arquitetura das raízes (v. «Crescimento e Arquitetura da canópia»). A raiz é, na verdade, a metade escondida e desconhecida das plantas.