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1. Angiospérmicas atuais: principais características

Grande parte do Volume I desta coleção foca-se na anatomia, morfologia externa, biologia da reprodução e ciclo de vida das angiospérmicas. O que as distingue pode ser resumido nas seguintes categorias fundamentais:

Corpo vegetativo 

Resumidamente, as angiospérmicas têm uma fisionomia arbórea, arbustiva, escandente (trepadeiras) ou são plantas herbáceas – nenhuma outra linhagem de plantas terrestres alcança a diversidade de tipos fisionómicos das angiospérmicas. A enorme variação do corpo vegetativo das angiospérmicas foi amplamente discutida no volume i, de qualquer modo, há duas características que as distinguem a este nível: a presença de estípulas (embora inconstantes nas eudicotiledóneas e raras nas monocotiledóneas) e a elevada densidade de nervuras. O sistema vascular também é mais evoluído, com traqueídos, vasos lenhosos (com exceções) e floema constituído por elementos de tubo crivoso e células companheiras.

A flor. Biologia da reprodução

A flor, o carácter definidor das angiospérmicas, foi intensamente trabalhada e diversificada pela evolução. As flores variam de menos de 1 mm (Lemnoideae, Araceae) a ca. 1 m [Rafflesia (Rafflesiaceae)] de diâmetro (Figura 18); as mais complexas são constituídas, da base para o ápice, pelo cálice (conjunto das sépalas), corola (conjunto das pétalas), androceu (conjunto dos estames) e gineceu (conjunto dos pistilos). A flor é um estróbilo bissexual, secundariamente unissexual.

Os estames são exclusivos e bastante uniformes nas angiospérmicas. Na angiospérmica típica, os estames têm uma simetria bilateral, estando divididos numa parte estéril, o filete, e noutra fértil, a antera. Na antera reconhecem-se duas tecas, cada uma com dois sacos polínicos. O pólen das angiospérmicas, ao contrário do das gimnospérmicas, possui tectum, entre outras diferenças ultraestruturais (v. vol. i).

Os primórdios seminais estão encerrados num pistilo formado por uma ou mais folhas modificadas (carpelos) soldadas entre si. Os pistilos são constituídos por um ovário (parte basal alargada onde se encontram os primórdios seminais), um estilete (porção mais estreita do pistilo, nem sempre presente, especializada na seleção de gâmetas) e um estigma (órgão especializado na captura e triagem de grãos de pólen). O gametófito das angiospérmicas está reduzido, com excepções, a sete células e oito núcleos.

Os sistemas de polinização das angiospérmicas são muito variados (pelo vento, água, insetos, etc.). A germinação estigmática do pólen é característica e exclusiva das angiospérmicas. A polinização e a fecundação são quase simultâneas. A fecundação tem a peculiaridade de envolver dois gâmetas masculinos e dois gâmetas femininos (dupla fecundação). O endosperma é triploide (alguns grupos de ‘angiospérmicas basais’ retêm o endosperma diploide da gimnospérmica ancestral).

Fruto e semente

Após a fecundação dos primórdios seminais e um período de maturação relativamente curto, os ovários dão origem aos frutos, que contêm no seu interior uma ou mais sementes. O fruto é uma autapomorfia das angiospérmicas – podem ser secos ou carnudos (com uma polpa rica em água), simples (derivados de um gineceu com um pistilo) ou múltiplos (oriundos de um gineceu com carpelos livres), por vezes incorporando tecidos do recetáculo (pseudofrutos), etc. Os mecanismos de dispersão das angiospérmicas são extraordinariamente diversos.