2. Estrutura do fruto
Durante a formação do fruto, a parede do ovário modifica-se e dá origem ao pericarpo (pericarp). O pericarpo é constituído por três camadas – epicarpo, mesocarpo e endocarpo –, definidas de forma inconsistente, consoante os autores e os tipos de fruto. Não é, inclusive, claro se lhes pode ser atribuído um significado biológico, evolutivo e funcional preciso (Pabón-Mora & Litt, 2011). Usando como critério fundamental a diferenciação tecidular, podem ser definidos do seguinte modo (Pabón-Mora et al., 2014; Pabón-Mora & Litt, 2011):
- Epicarpo (exocarpo; exocarp) – camada mais externa geralmente unicelular, correspondente à epiderme exterior (da página inferior) da(s) folha(s) carpelar(es) que compõem o pistilo; inclui, em alguns casos, tecidos hipodérmicos bem diferenciados;
- Mesocarpo (mesocarp) – tecido formado a partir do parênquima e dos feixes vasculares das folhas carpelares;
- Endocarpo (endocarp) – camada com uma ou escassas células de espessura correspondente à epiderme interior (da página superior) da(s) folha(s) carpelar(es), mais os tecidos localizados entre a epiderme interior e os feixes vasculares, na eventualidade de se apresentarem diferenciados do mesocarpo.
Os mesmos termos são aplicados aos pseudofrutos; porém, neste caso, não são verdadeiras as correspondências com a anatomia do carpelo estabelecidas para os frutos verdadeiros.
O epicarpo e o endocarpo podem acumular camadas celulares durante o desenvolvimento do fruto. Nos frutos carnudos, o epicarpo está coberto por uma cutícula, que se torna mais espessa e exteriormente enriquecida em ceras na maturação. O mesocarpo tem uma grande expressão nos frutos carnudos, sendo, neste caso, maioritariamente constituído por tecidos parenquimatosos ricos em água.
Em contraste, o mesocarpo dos frutos secos é caracterizado pela presença de esclerênquima e de parênquima não suculento. As fibras de esclerênquima do mesocarpo do coco, por exemplo, atingem 1 mm de comprimento e têm múltiplos usos (e.g., restauração ecológica, substratos para plantas e tapetes).
O endocarpo é digno de referência nos frutos de caroço (drupas), onde aparece esclerificado (com escleritos) com a função de proteger a semente quando o fruto é deglutido por um animal dispersor. No tomate, de forma bastante distinta, o endocarpo é gelatinoso.
Em linguagem corrente, apelida-se de pedúnculo o «pé» dos frutos, mesmo que este, em termos botânicos rigorosos, seja frequentemente um pedicelo.