5. Recetáculo
O recetáculo (= eixo floral ou tálamo; receptacle) é um braquiblasto, i.e., um caule muito curto, mais largo do que o pedicelo, de entrenós muito curtos, no qual se inserem as peças que constituem a flor. Do recetáculo divergem traços (feixes vasculares) a abastecer cada uma das peças da flor. As sépalas geralmente têm tantos feixes quanto as folhas; as pétalas e os estames apenas 1; os carpelos 1, 3 ou 5 (Khan, 2002). A ramificação dos feixes varia com o órgão, sendo mais pronunciada nas peças do perianto.
Os entrenós do recetáculo podem alongar-se de forma diferenciada, dando origem a diferentes estruturas. Por exemplo, o entrenó que separa a corola do androceu está alargado (elevando as pétalas, os estames e os carpelos) em muitas Caryophyllaceae, o que constitui um antóforo (Figura 272). Se este alongamento ocorre entre o androceu e o gineceu, forma-se um ginóforo, como acontece na alcaparra (Capparis spinosa) e noutras Capparaceae, bem como nas Cleomaceae (Figura 163). O alongamento destes entrenós pode ser uma forma de afastar o ovário do local onde se acumula néctar e, assim, desagravar a exposição dos primórdios seminais à herbivoria (V. Grant, 1950).
No recetáculo podem ainda diferenciar-se gibas (pequenas bolsas) e esporões recetaculares (estruturas mais longas do que as gibas); e.g., Tropaeolum majus (Tropaeolaceae) (Weberling, 1992). Os esporões recetaculares desempenham uma função ecológica análoga à dos esporões corolinos e calicinais: armazenam e oferecem recompensas em néctar, contribuindo ativamente para atrair e selecionar a fauna polinizadora especializada.