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11. Primórdio seminal

Num primórdio seminal identificam-se as seguintes partes (Figura 190-A):

  • Funículo (funicle) – cordão delgado e curto, atravessado por um feixe vascular, que conecta o primórdio seminal à placenta;
  • Tegumento (= integumento; integument) – estrutura com a função de proteger o nucelo e o saco embrionário;
  • Nucelo (nucellus) – tecido maternal diploide situado entre o tegumento e o saco embrionário;
  • Saco embrionário (embryo sac) – gametófito (= megagametófito).

O primórdio seminal pode ter um (primórdios unitegumentados ou unitégmicos) ou dois (primórdios bitegumentados ou bitégmicos) tegumentos. As angiospérmicas são originalmente bitegumentadas (Friis et al., 2011) – o primórdio unitegumentado é um estado de carácter derivado. O tegumento externo apelida-se primina e o interno secundina. Estes termos não se aplicam aos primórdios com um tegumento. Os tegumentos arrancam da base do nucelo e prolongam-se até ao ápice do primórdio, deixando uma pequena abertura – o micrópilo (micropyle) – por onde entra o tubo polínico na fecundação.

Consoante a espessura do nucelo reconhecem-se dois tipos de primórdio seminal: (i) primórdios crassinucelados e (ii) primórdios tenuinucelados (Maheshwari, 1950). No primeiro tipo, uma a várias camadas de células nucelares separam a epiderme do saco embrionário. No segundo tipo, o saco embrionário contacta diretamente com a epiderme. O primórdio crassinucelado é ancestral nas angiospérmicas. A parte do nucelo situado no lado oposto ao micrópilo, geralmente na vizinhança da inserção dos tegumentos, é conhecida por calaza.

Mais de 70 % das angiospérmicas têm um saco embrionário tipo Polygonum, com origem num único megásporo e constituído por 8 núcleos haploides e 7 células (Figura 188): (i) a oosfera (egg cell, oosphere), (ii) 2 sinergídeas (synergids), (iii) 1 célula central (central cell) cenocítica com 2 núcleos (núcleos polares) e (iv) 3 antípodas (antipods).

As sinergídeas e a oosfera situam-se no polo (ou extremidade) micropilar do saco embrionário, e as antípodas no polo calazal. A oosfera e a célula central atuam como gâmetas ; as sinergídeas têm um importante papel na atração e na libertação dos gâmetas ; a função das antípodas não é conhecida (v. «Reprodução sexuada nas angiospérmicas»).

Reconhecem-se três tipos maiores de primórdio seminal (Figura 190):

  • Ortotrópico (orthotropous) – primórdio ereto com funículo, calaza e micrópilo dispostos ao longo do mesmo eixo; e.g., Platanaceae.
  • Campilotrópico (campylotropous) – primórdio arqueado, com o micrópilo próximo da calaza; e.g., feijoeiro-comum e tomateiro;
  • Anatrópico (= anátropo; anatropous) – primórdio com uma curvatura de 180 ° no ápice do funículo, de tal modo que o micrópilo fica mais próximo da placenta do que da calaza; tipo mais frequente de primórdio seminal.

O tipo de primórdio seminal vai condicionar a forma e a posição relativa do hilo (hilum, cicatriz na semente que marca o ponto de inserção do funículo no primórdio) e do micrópilo na semente.

Na perspetiva do processo de desenvolvimento das plantas, o primórdio seminal é um precursor não fecundado da semente. Em termos evolutivos e morfológicos, os primórdios seminais são interpretados como megasporângios envolvidos por um ou dois tegumentos porque a megasporogénese (diferenciação de esporos ) ocorre no seu interior (v. «Reprodução sexuada nas angiospérmicas»). Os carpelos sustêm os megasporângios, portanto, são megasporofilos.