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Sexualidade à escala da inflorescência

As inflorescências podem apresentar diferentes combinações de flores hermafroditas, unissexuais e/ou estéreis, as quais, por sua vez, se encontram espacialmente agrupadas na base, no centro ou no topo da inflorescência. Existe uma vasta nomenclatura botânica para designar cada uma das possíveis combinações morfológicas, cuja descrição exaustiva extravasa o âmbito deste texto.

As panículas da mangueira (Mangifera indica, Anacardiaceae) e os amentos do castanheiro-europeu (Castanea sativa, Fagaceae) ilustram bem esta complexidade. Nas grandes panículas da mangueira, as flores situadas na base do eixo são predominantemente unissexuais , enquanto as flores da extremidade são hermafroditas. No castanheiro-europeu, pouco depois do abrolhamento primaveril, formam-se amentos estritamente unissexuais  a partir de gomos prontos, localizados na axila de algumas das folhas recém-diferenciadas. 10 a 15 dias depois, numa zona mais jovem do ramo do ano em alongamento e, portanto, numa região mais exterior da copa, surgem amentos androgínicos com numerosas flores acompanhadas por 1 a 6, raramente mais, glomérulos de flores na base (parte proximal do amento).

Em termos evolutivos e ecológicos, a diferenciação e a segregação espacial da sexualidade no interior de uma inflorescência ou entre inflorescências do mesmo indivíduo – frequentemente aliadas a uma desfasagem temporal na maturação – constituem um mecanismo fenológico relevante para a promoção da polinização cruzada (alogamia) e para a minimização da autopolinização.