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3. Laurales

Laurales

Plantas lenhosas de lianas a árvores, raramente parasitas. Folhas geralmente opostas, com glândulas translúcidas, frequentemente avermelhadas antes da senescência. Flores actinomórficas, com hipanto, muitas vezes de perianto trímero (verticilos com três peças). Presença frequente de estaminódios (estames estéreis) com um par de glândulas inseridas no filete com a função de produzir néctar ou odores (e.g.Laurus); anteras de deiscência valvar (em janela). Carpelos um a muitos, livres (gineceu apocárpico); placentação basal ou apical, com um primórdio por carpelo ou lóculo. Sementes geralmente endospérmicas com um embrião diminuto. Ordem de ótimo tropical, com sete famílias, apenas uma delas indígena, as Lauraceae.

Lauraceae

Hábito. Geralmente árvores aromáticas. O género Cassytha, tão frequente no Sul de Angola, é parasita, cobrindo por vezes por completo os hospedeiros de caules delgados, longos e flexíveis, com folhas reduzidas a escamas, que se agitam ao sabor do vento. Os caules jovens de Lauraceae são estriados, com as estrias decorrentes no pecíolo. O arranque do crescimento gera um verticilo com vários ramos.

Folha. Folhas aromáticas, simples, inteiras (raramente lobadas), alternas, peninérveas (par de nervuras inferior frequentemente mais proeminente e arqueado em direção ao ápice), persistentes, frequentemente com pontuações claras no limbo (glândulas de óleos essenciais), e sem estípulas. Folhas senescentes, frequentemente com uma cor avermelhada característica.

Inflorescência e flor. Inflorescências cimosas axilares. Flores pequenas e pouco vistosas (descoloridas), trímeras, homoclamídeas (sépalas e pétalas não ou pouco diferenciadas), actinomórficas, recetáculo côncavo, hermafroditas ou unissexuais. Seis tépalas organizadas em dois verticilos de três peças. Estames até 12, deiscentes por valvas (pequenas «janelas» que se levantam de baixo para cima), organizados em quatro verticilos, o mais interior frequentemente estéril (estaminódios), estames de um dos verticilos geralmente com dois nectários na base do filete. Ovário súpero de um carpelo com um primórdio seminal de placentação apical. Polinização entomófila (Figura 73-A).

Fruto e semente. Fruto uma baga ou uma drupa, frequentemente assente num recetáculo espessado e persistente em forma de cúpula. Sementes sem endosperma, com um embrião grande e cotilédones volumosos, normalmente dispersas por aves.

Distribuição e diversidade. Família grande (45 géneros e 2850 espécies). De máxima expressão nos territórios tropicais e subtropicais. Uma espécie indígena de Portugal continental (Laurus nobilis), quatro da Madeira (Apollonias barbujanaLaurus novocanariensisOcotea foetens e Persea indica) e uma dos Açores (Laurus azorica) (Figura 73-C). Família de grande importância ecológica na vegetação arbórea madeirense e açoriana (laurissilva, floresta relíquia do Terciário).

Usos. A expansão do abacateiro (Persea americana) no Algarve é uma das alterações mais significativas da geografia agrícola recente de Portugal (Figura 73-B). Muitas lauráceas têm um uso condimentício ou medicinal; e.g.Cinnamomum verum, «árvore-da-canela» (especiaria obtida a partir da casca interna/floema secundário da árvore, com substitutos de pior qualidade no género Cinnamomum, como o C. cassia), Cinnamomum camphora, «cânfora», e Laurus nobilis, «loureiro». As coroas de louro tinham um enorme simbolismo na Roma e na Grécia clássicas. Comercializam-se madeiras de Mezilaurus spp., «itaúba», provenientes da América do Sul.