2. Dioscoreales
Geralmente lianas de caules volúveis, com tubérculos aéreos ou subterrâneos frequentes. Feixes vasculares do caule geralmente organizados em dois anéis. Folhas de nervação geralmente curvilíneo-paralelinérveas, com nervuras convergentes em direção ao ápice. Flores actinomórficas com um ou dois verticilos de peças iguais (tépalas) e petaloides. Estames epipétalos. Gineceu tricarpelar sincárpico, geralmente ínfero, de estilete curto e ramificado. Grupo maioritariamente tropical de três famílias – duas presentes em Portugal, Nartheciaceae e Dioscoreaceae, respetivamente, com uma (Narthecium ossifragum) nas montanhas temperadas do Norte – e três espécies (Dioscoreaceae).
Dioscoreaceae
Hábito. Trepadeiras herbáceas ou lenhosas, rizomatosas ou tuberosas, por vezes com bolbilhos nas axilas das folhas, de caules volúveis ou não, normalmente dioicas.
Folha. Folhas geralmente alternas, embainhantes (desenhando uma bainha na base), simples, eventualmente lobadas ou compostas, curvilíneo-paralelinérveas. Nervuras primárias curvas e convergentes em direção ao ápice. Constituem uma exceção notável (junto com outras poucas famílias) ao padrão paralelinérveo típico das monocotiledóneas.
Inflorescência e flor. Inflorescências axilares. Flores normalmente unissexuais e homoclamídeas. Seis tépalas em dois verticilos. Seis estames (nas flores masculinas). Flores femininas de gineceu ínfero com três carpelos; ovário frequentemente alado; dois primórdios seminais por carpelo; estiletes livres.
Fruto. Fruto seco ou carnudo, frequentemente triangular, com três asas.
Distribuição e diversidade. Fam. de média dimensão (4 gén. e ca. 650 sp., mais de 600 do gén. Dioscorea). Pantropical com algumas espécies temperadas. Duas espécies indígenas de Portugal: Dioscorea (Tamus) communis (Portugal continental) e Dioscorea (Tamus) edulis (Madeira) (Figura 76).
Usos. Seis espécies de Dioscorea, genericamente designadas por inhames, são cultivadas nos trópicos pelos seus tubérculos, aéreos ou subterrâneos, amiláceos. As espécies mais cultivadas no Brasil e em Angola serão a D. alata, «cará ou inhame-da-costa», a D. cayennensis, «inhame-de-são-tomé», e a D. bulbifera, «caramoela, inhame-de-angola»; há quem tenha experimentado esta última em Portugal. Do ponto de vista agronómico, importa não confundir estes verdadeiros inhames com os "inhames" da família Araceae (Colocasia). Farmacologicamente, a família tem um peso histórico ímpar: tubérculos de várias espécies contêm diosgenina, um precursor esteroide cuja extração permitiu, a meados do século XX, a síntese em laboratório da cortisona e a invenção da primeira pílula contracetiva.