1. Piperales
Piperales
Frequentemente herbáceas com folhas geralmente cordadas, peni- ou palminérveas, com glândulas translúcidas. Feixes vasculares individualizados em um a três círculos concêntricos. Flores cíclicas geralmente trímeras. Gineceu apocárpico a sincárpico. Ordem representada em Portugal pela família Aristolochiaceae. Dos frutos da pimenteira (Piper nigrum, Piperaceae) obtém-se o mais importante condimento de origem vegetal do mundo: a pimenta (Figura 70-A). As Peperomia (Piperaceae), sobretudo a P. caperata, de origem brasileira, são plantas de vaso comuns no país.
Aristolochiaceae
Hábito. Herbáceas ou trepadeiras, eventualmente arbustos. Algumas espécies não europeias são holoparasitas, como as excêntricas Hydnora, do Sul de África (Figura 43).
Folha. Folhas alternas, simples, inteiras e de nervação palmada.
Flor. Flores grandes, hermafroditas, zigomórficas, solitárias na axila das folhas. Perianto com um verticilo de três tépalas (flores trímeras), livres ou concrescentes (nas Aristolochia soldadas num tubo comprido em forma de S, que funciona como uma armadilha temporária para reter insetos polinizadores). Estames poucos (cinco) a muitos (>40), organizados num ou mais verticilos, livres ou concrescentes entre si, por vezes adnados ao estilete diferenciando estruturas complexas (ginostémio). Gineceu com três a seis carpelos, sincárpico, geralmente ínfero.
Fruto. Seco (cápsula septicida), com frequência pendente e de grande dimensão (Figura 69-B).
Distribuição e diversidade. Família de média dimensão (ca. 480 espécies). Dispersa por áreas temperadas e tropicais. Espécies europeias todas pertencentes ao género Aristolochia. Três espécies indígenas em Portugal (Figura 69).
Usos. Algumas Aristolochia têm interesse ornamental. A maioria das espécies contém ácido aristolóquico, uma substância muito tóxica (nefrotóxica e carcinogénica), sendo, por isso, usadas para envenenar setas em certas regiões de África.