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2. Congruência taxonómica: as plantas como bioindicadores

As plantas vasculares são os produtores primários responsáveis pela introdução da esmagadora maioria da matéria e da energia nas teias tróficas da Terra emersa, proporcionando as condições estruturais e alimentares essenciais para os demais seres vivos. Não surpreende, por isso, a frequente correlação espacial positiva entre a diversidade de plantas vasculares e a de outros grupos taxonómicos (Brunbjerg et al., 2018). Um raro estudo diacrónico, realizado na Alemanha, demonstrou que, numa janela de oitenta anos, as variações espaciotemporais da diversidade de plantas vasculares e de cinco grandes ordens de insetos foram significativamente congruentes (Carroll et al., 2023).

Esta forte correlação permite que, em ecologia aplicada, biologia da conservação e monitorização ambiental, a riqueza em plantas vasculares seja frequentemente utilizada como um indicador ou substituto (surrogate) fiável para estimar a diversidade global de taxa animais mais difíceis, dispendiosos ou esquivos de detetar no campo (Pharo et al., 2000). A robustez desta congruência é, no entanto, dependente do contexto ecológico, dos grupos taxonómicos envolvidos e da escala espacial da análise (Pearson & Carroll, 1999). Finalmente, à escala da paisagem, está amplamente demonstrado que a conservação de comunidades ricas e diversas em plantas vasculares (e organismos associados) está diretamente correlacionada com a otimização e a estabilidade da oferta de serviços ecossistémicos indispensáveis à Humanidade (Isbell et al., 2011).