5. Quimeras
Diz-se que uma planta é uma quimera quando células de, pelo menos, dois genótipos distintos se multiplicam e coexistem lado a lado num determinado tecido. As quimeras formam-se devido à mutação de células somáticas ao nível meristemático, processo que pode ser espontâneo ou induzido artificialmente através de radiações ionizantes ou da aplicação de substâncias químicas mutagénicas. As mutações ocorridas nos meristemas dos propágulos resultam no desenvolvimento de tecidos quiméricos que podem, ou não, ser transmitidos à progénie dependendo do seu grau de estabilidade.
As quimeras são classificadas em função do tipo de mutação e da posição original da célula mutante na estrutura do meristema (Frank & Chitwood, 2016; Lineberger, s.d.). Uma quimera passa completamente despercebida se a mutação der origem a células funcional e visualmente similares às células não mutantes, se ocorrer numa zona demasiado profunda do caule em formação (e.g., no meristema fundamental da medula), ou se acontecer numa célula já em fase adiantada de diferenciação (células generativas), ficando circunscrita a um minúsculo e invisível aglomerado celular. Contudo, se a mutação ocorrer nas camadas celulares próximas do ápice do meristema, todas ou uma grande parte das células diferenciadas na epiderme ou no mesofilo foliar serão mutantes.
As quimeras resultantes da segregação entre células clorofiladas (verdes) e células sem clorofila (albinas) são as mais espetaculares e conhecidas do público. Cultivares ornamentais caracterizadas por folhas variegadas com faixas amarelas ou brancas, como o clorofito (Chlorophytum comosum, Asparagaceae, Agavoideae), o tronco-do-brasil (Dracaena fragrans, Asparagaceae, Nolinoideae) (Figura 315) e o agave (Agave americana, Asparagaceae, Agavoideae), são extensivamente multiplicadas vegetativamente e cultivadas, quer na Europa quer nas regiões tropicais, tirando partido exclusivo deste fenómeno genético.