3. Afinidade e compatibilidade em enxertia
Quando um enxerto é rejeitado logo após a enxertia, diz-se que há falta de afinidade ou incompatibilidade absoluta entre o enxerto e o porta-enxerto. Infelizmente, não é possível enxertar árvores de fruto nas árvores dominantes dos bosques portugueses (e.g., Quercus, Alnus, Fraxinus e Salix): não existe qualquer afinidade entre elas. Um porta-enxerto e um enxerto consideram-se compatíveis quando são capazes de estabelecer uma ligação sólida e duradoura.
Nas enxertias compatíveis, a união entre o enxerto e o porta-enxerto viabiliza um transporte eficiente de água, nutrientes minerais, fotoassimilados e reguladores de crescimento entre os dois biontes. Há uma continuidade cambial e vascular perfeita. Nas enxertias incompatíveis, as plantas apresentam um aspeto pouco saudável e crescem pouco;frequentemente a folhagem torna-se amarelada, a folha cai cedo no outono, os indivíduos são pouco longevos e quebram facilmente pela zona da enxertia. Muitas vezes, o enxerto e o porta-enxerto não têm o mesmo diâmetro e/ou desenvolve-se um inchaço evidente acima ou abaixo do ponto de união (Figura 314). Nesses casos, as conexões vasculares são profundamente irregulares.
A compatibilidade das enxertias é um fenómeno fisiológico difícil de antecipar. A prática demonstra que quanto maior a similaridade genética entre o enxerto e o porta-enxerto — isto é, quanto menor a sua distância evolutiva e maior a sua afinidade taxonómica —, maior é o sucesso das enxertias. Quer isto dizer que a probabilidade de obter enxertias compatíveis diminui na seguinte ordem taxonómica: entre indivíduos do mesmo clone > entre clones distintos da mesma espécie > enxertias interespecíficas (mesmo género) > enxertias intergenéricas. A intensidade da incompatibilidade é variável e pode revelar-se imediatamente ou apenas vários anos após a realização da enxertia.