2. 'Pteridófitos'
Os ‘pteridófitos’ são um grupo artificial de plantas vasculares basais que integra licopodiófitos e fetos. No ciclo de vida dos 'pteridófitos' sucede o inverso relativamente aos briófitos: o gametófito — conhecido por protalo — é pequeno, inconspícuo e, frequentemente, vive soterrado no solo (Figuras 319-B, C e 321). Pode ser clorofilado e desempenhar função fotossintética autotrófica, ou ser aclorofilado e alimentar-se de matéria orgânica em decomposição através de relações simbióticas com fungos (mico-heterotrofia). O ciclo de vida é, portanto, amplamente dominado pelo esporófito.
Os esporângios dos 'pteridófitos' diferenciam-se geralmente na base das folhas (e.g., Isoetes, Lycopodiidae) ou na sua página inferior (e.g., na maioria das Polypodiidae). Qualquer folha portadora de esporângios é denominada esporofilo. Os esporângios inserem-se diretamente nos caules no género Psilotum (Ophioglossidae) e em estruturas de origem caulinar nos equisetófitos. Nos escassos grupos de 'pteridófitos' heterospóricos, os megásporos e os micrósporos dão origem aos gametófitos ♀ (= megagametófito ou megaprotalo) e ♂ (= microgametófito ou microprotalo), respetivamente. Os gametófitos são, por regra, bissexuais nos grupos homospóricos.
Tanto nos briófitos como nos 'pteridófitos', os gametângios ♀ — os arquegónios — têm a forma de uma garrafa. Os arquegónios guardam no seu ventre (a parte basal, de maior diâmetro) um único gâmeta ♀, a oosfera. Por sua vez, os gametângios ♂ — os anterídios — são globosos. Os anterídios maduros rebentam e libertam gâmetas ♂ flagelados e móveis — os anterozoides. Os briófitos e os 'pteridófitos', assim como algumas algas verdes (e.g., Charophyta), apresentam um caso extremo de anisogamia designado por oogamia, o qual se caracteriza pela presença de gâmetas ♀ imóveis, muito maiores e mais ricos em reservas energéticas do que os gâmetas ♂.
As oosferas aguardam pelos gâmetas ♂ retidas de forma segura no interior do gametófito. Em ambos os grupos, o movimento dos gâmetas ♂ e, implicitamente, a fecundação dependem obrigatoriamente da presença de água em estado líquido no ambiente. Admite-se que a distância percorrida pelos gâmetas ♂ dos briófitos e dos 'pteridófitos' é, em geral, bastante diminuta. O zigoto forma-se no interior do arquegónio após o encontro dos gâmetas (fecundação). Nos briófitos, o esporófito recém-formado «parasita» permanentemente o gametófito materno (matrotrofia); nos 'pteridófitos', pelo contrário, o esporófito torna-se rapidamente independente, fotossintético e supera em biomassa o gametófito parental, acabando por substituí-lo.
A Figura 321 resume o ciclo de vida dos 'pteridófitos', tendo como modelo outro género cosmopolita: Polypodium (Polypodiaceae).
Figura 321. Ciclo de vida de um feto homospórico (Polypodium vulgare, Polypodiaceae, Polypodiidae). Legenda: R! – meiose. [Tradução e adaptação autorizadas de um original de Tomás Días González, Univ. Oviedo, Espanha.]
