4. Partes edíveis dos frutos
As partes edíveis dos frutos s.l. adequadas à alimentação humana variam de espécie para espécie. Em diferentes combinações, podem envolver as estruturas descritas no Quadro 36 (Figura 196).
Em número de espécies, consomem-se mais frutos carnudos do que frutos secos. No entanto, a maior parte das calorias das dietas atuais provém das cariopses de gramíneas, um fruto seco soldado intimamente à semente, à qual cabe a maior parte da biomassa. À Figura 196 poder-se-iam adicionar as brácteas, tendo como exemplo o lúpulo. Das brácteas da infrutescência ♀ do lúpulo (cone ♀) extrai-se a lupulina, um complexo de substâncias resinosas usadas na conservação e aromatização da cerveja.
«Fruto seco» tem dois significados, um botânico, estudado nos pontos anteriores, e outro agronómico/alimentar. Em agronomia e nas ciências da nutrição, «frutos secos» é a designação genérica de um grupo concreto de plantas cultivadas e das respetivas sementes, que inclui o amendoim, a aveleira, a nogueira-europeia, o pistacheiro, o castanheiro-europeu e a castanha-de-caju. As sementes destas plantas têm baixos teores de água, são ricas em lípidos e energia, sendo consumidas em fresco ou após um processamento simples (e.g., torrefação). Correspondem às nuts dos autores anglo-saxónicos.
|
QUADRO 36 Partes edíveis dos frutos s.l. cultivados |
|
|
Tipo |
Descrição/exemplos |
|
Tecidos do ovário |
Em grande parte dos frutos s.l. temperados consome-se todo o pericarpo (e.g., uva) ou o mesocarpo (e.g., pêssego e demais prunoideas). No tomate, além do pericarpo, são muito importantes as placentas e os septos. |
|
Tecidos de um hipanto |
Nas pomoideas (Maloideae, Rosaceae), os tecidos carpelares são pouco relevantes no volume do fruto porque grande parte da polpa dos pomos tem origem nos tecidos do hipanto aderente ao ovário (ovário ínfero). |
|
Tecidos do recetáculo |
No morango, o recetáculo é vermelho e carnudo; na sua superfície encontram-se simetricamente distribuídos minúsculos aquenioides. |
|
Placenta |
Importante nas cucurbitáceas; as placentas são comestíveis na melancia e no pepino, o mesmo não acontecendo no melão ou na abóbora-menina. |
|
Pelos glandulares |
Cada carpelo (gomo) do hesperídio característico dos citrinos está preenchido com pelos glandulares ricos em água. |
|
Pedúnculo do fruto |
No cajueiro, o fruto é seco; o pedúnculo, em contrapartida, é carnudo, hipertrofiado e doce; a castanha-de-caju é a semente, que se consome torrada. |
|
Eixo primário da inflorescência (= ráquis) |
No figo e nas amoras de Morus nigra e M. alba (Moraceae) consomem-se o pedúnculo da infrutescência e o pericarpo dos frutos; a parte carnuda do ananás compreende tecidos do ráquis da infrutescência, dos pedicelos e das flores. |
|
Toda ou partes da semente |
Na nogueira consome-se a semente que tem de ser previamente extraída de um fruto carnudo drupáceo (pseudodrupa); algo semelhante acontece com a amendoeira. Na romã, o pericarpo é seco e as sementes têm uma sarcotesta muito apreciada. No mangostão (Garcinia mangostana, Clusiaceae) e nos maracujás comestíveis (Passiflora spp., Passifloraceae), o pericarpo é adstringente, mas os arilos das sementes são deliciosos. Em várias plantas cultivadas são edíveis os frutos e as sementes, como acontece com as vagens e as sementes imaturas do feijoeiro e da ervilheira. |