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Angiospérmicas atuais: principais características

Grande parte do Volume I desta coleção foca-se na anatomia, morfologia externa, biologia da reprodução e ciclo de vida das angiospérmicas. O que as distingue pode ser resumido nas seguintes categorias fundamentais:

Corpo vegetativo 

Resumidamente, as angiospérmicas têm uma fisionomia arbórea, arbustiva, escandente (trepadeiras) ou são plantas herbáceas – nenhuma outra linhagem de plantas terrestres alcança a diversidade de tipos fisionómicos das angiospérmicas. A enorme variação do corpo vegetativo das angiospérmicas foi amplamente discutida no volume i, de qualquer modo, há duas características que as distinguem a este nível: a presença de estípulas (embora inconstantes nas eudicotiledóneas e raras nas monocotiledóneas) e a elevada densidade de nervuras. O sistema vascular também é mais evoluído, com traqueídos, vasos lenhosos (com exceções) e floema constituído por elementos de tubo crivoso e células companheiras.

Estruturas reprodutivas e biologia da reprodução

A flor é o carácter definidor das angiospérmicas. Trata-se de um estróbilo bissexual (secundariamente unissexual), intensamente trabalhado pela evolução.

• Dimensões: A amplitude de tamanho varia de menos de 1 mm (ex: Lemnoideae, Araceae) a cerca de 1 m de diâmetro (ex: Rafflesia, Rafflesiaceae).

• Estrutura Base: As flores mais complexas são constituídas, da base para o ápice, pelo cálice (sépalas), corola (pétalas), androceu (estames) e gineceu (pistilos).

• Androceu: Os estames são exclusivos e uniformes. Possuem simetria bilateral e dividem-se numa parte estéril (o filete) e noutra fértil (a antera). Cada antera apresenta duas tecas, contendo dois sacos polínicos cada.

• Pólen: Ao contrário das gimnospérmicas, o pólen das angiospérmicas possui tectum e outras diferenças ultraestruturais.

• Gineceu: Os primórdios seminais ficam encerrados num pistilo, formado por um ou mais carpelos (folhas modificadas) soldados. O pistilo divide-se em: ovário (base alargada com os primórdios seminais), estilete (porção estreita de seleção de gâmetas, nem sempre presente) e estigma (órgão de captura e triagem de pólen).

• Gametófito: Encontra-se fortemente reduzido a sete células e oito núcleos (salvo raras exceções).

Polinização e Fecundação

• Polinização: Sistemas altamente diversificados (vento, água, insetos, etc.). A germinação estigmática do pólen é uma característica exclusiva das angiospérmicas.

• Fecundação: Ocorre de forma quase simultânea à polinização e caracteriza-se pela dupla fecundação, envolvendo dois gâmetas masculinos e dois femininos.

• Endosperma: É tipicamente triploide, embora certos grupos de angiospérmicas basais retenham o endosperma diploide da gimnospérmica ancestral.

Fruto e Dispersão

• O Fruto: Constitui uma autapomorfia das angiospérmicas. Surge do ovário após a fecundação dos primórdios seminais e um curto período de maturação.

• Tipologia: Podem ser secos ou carnudos (polpa rica em água); simples (derivados de um gineceu com um pistilo) ou múltiplos (de um gineceu com carpelos livres). Podem também incorporar tecidos do recetáculo (originando pseudofrutos).

• Sementes e Dispersão: As sementes ficam contidas no interior do fruto, e os mecanismos de dispersão da planta são extraordinariamente diversos.