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Nomes científicos vs. nomes vulgares

O uso corrente de nomes vulgares levanta sérios problemas práticos: i) não há nomes vulgares, quer publicados quer na tradição oral, suficientes para designar todas as espécies; ii) os nomes vulgares têm, frequentemente, um uso regional muito restrito e mais de um significado (o mesmo nome é aplicado a mais de uma entidade taxonómica); iii) as diferentes formas (fisionomias) dos taxa de morfologia variável têm, por vezes, designações próprias; iv) os nomes vulgares não revelam eventuais relações taxonómicas.

A falta de nomes vulgares é manifesta na flora de Portugal porque, ao contrário do que acontece, por exemplo, com as aves, não existe um documento de referência para os nomes vulgares das plantas, e nos meios técnicos e científicos nunca houve vontade de incrementar o seu uso (ao contrário do que acontece no Brasil ou nos países de língua inglesa). A espécie Quercus rotundifolia (Fagaceae) é um bom exemplo das dificuldades associadas ao uso de nomes vulgares: no Centro e Sul é conhecida por «azinheira»; em Trás-os-Montes, as formas adultas arbóreas de folhas inteiras são os «sardões», e os indivíduos juvenis arbustivos com folhas espinhosas, os «carrascos». Com frequência, as plantas adultas e juvenis de Q. rotundifolia são erradamente percecionadas como espécies distintas. No Sul, o nome «carrasco» é associado a uma outra espécie, o Q. coccifera.

Os nomes científicos apresentam, então, três vantagens significativas face aos nomes vulgares: i) universalidade – os nomes científicos são universalmente aceites porque, no caso das plantas, as regras definidas pelo International Code of Nomenclature for algae, fungi, and plants (ICN) (Thurland et al., 2018; Figura 12) são partilhadas pela comunidade científica botânica internacional; ii) mononimia – cada taxon tem apenas um nome científico correto em acordo com o ICN; iii) monossemia – procura-se que a cada nome científico corresponda um único taxon.