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8. Androceu

Estrutura e função dos estames

O estame (stamen) é o órgão da flor – juntos constituem o androceu (androecium). Na flor completa, o androceu situa-se entre a corola e o gineceu. Os estames produzem pólen; secundariamente, podem atrair polinizadores pela cor ou pelo odor (Figura 173), proteger o ovário dos fitófagos (Figura 172), segregar néctar (Figura 175-7) ou servir de recompensa alimentar polinizadores pouco especializados (e.g., coleópteros).

O estame é uma folha modificada com duas partes:

  • Filete (filament) – parte estéril dos estames, normalmente filamentosa, que sustém a antera;
  • Antera (anther) – parte dos estames onde se forma e está contido o pólen.

O filete insere-se no dorso (anteras dorsifixas) ou na extremidade (anteras basifixas) da antera (Figura 175-5,6). O basculamento da antera na inserção do filete facilita a libertação e a dispersão do pólen. Nas anteras, geralmente reconhecem-se duas tecas aglutinadas pelo conectivo, um prolongamento do filete percorrido por um feixe vascular. Algumas famílias dispõem de uma única teca fértil (e.g., Cannaceae e malváceas Malvoideae e Bombacoideae); noutras, o conectivo prolonga-se para além das tecas numa espécie de bico (e.g., Violaceae). Por norma, compõem cada teca dois sacos polínicos (pollen sacs) separados por um septo, perfazendo 4 sacos polínicos por antera (Figura 174).

Em termos evolutivos, os sacos polínicos são interpretados como microsporângios (= esporângios ) e os estames microsporofilos (= esporofilos ), i.e., como folhas modificadas que suportam microsporângios. Atualmente, evita-se alargar o conceito de estames às estruturas reprodutivas das gimnospérmicas porque as suas relações evolutivas não estão clarificadas (v. «Ciclo de vida das gimnospérmicas atuais»).

Os estaminódios (staminodes) são estames estéreis, geralmente com um papel importante na atração de polinizadores (e.g., pela cor, pela produção de néctar ou de odores). O exemplo do quivi foi mencionado anteriormente (Figura 160). Nas Lecythidaceae, uma família tropical de grande importância ecológica e económica na América do Sul, um grande número de estaminódios está fundido numa espécie de capuz que cobre os estames férteis, o estilete e o estigma (Figura 172). A presença de estaminódios está associada a funções alternativas à produção de pólen do androceu (vd. Ronse De Craene & Smets, 2001).

As paredes das anteras em desenvolvimento são constituídas por 4 camadas celulares (Figuras 174 e 336). Exteriormente, a antera é envolvida por uma epiderme especializada, o exotécio (exothecium). Por debaixo da epiderme encontra-se o endotécio (= camada mecânica, endothecium). Próximo da ântese, as paredes celulares do endotécio engrossam, rompendo-se em seguida de modo a permitir a deiscência da antera e a libertação do pólen. A camada intermédia (middle layer), localizada entre o endotécio e o tapetum, tem 1 ou 2 células de espessura. O tapetum (tapete), um tecido constituído por células secretoras metabolicamente muito ativas, alimenta os grãos de pólen e as células que lhe deram origem, e auxilia na formação da esporoderme (v. «Pólen»). Na antera madura, o tapetum e a camada intermédia geralmente encontram-se degenerados (Evert et al., 2006).

Número, forma, inserção, arranjo e posição