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2. Tipos de reprodução assexuada

Tipo Descrição, comentários e exemplos
TIPOS PRINCIPAIS  
Bolbos e bolbilhos E.g., propagação por bolbos de cebolas e chalotas; propagação por bolbilhos do alho e do sisal (Agave sisalana, Asparagaceae, Agavoideae).
Divisão de rizomas E.g., Iris (Iridaceae) «lírios».
Divisão de estolhos E.g., morangueiro e clorofito (Chlorophytum comosum, Asparagaceae, Agavoideae).
Tubérculos Com tubérculos inteiros ou divididos; e.g., batateira e inhame-da-costa (Dioscorea alata, Dioscoreaceae).
Estacaria Neste tipo de propagação, destacam-se das plantas-mãe e enterram-se fragmentos (estacas) de folha, caule ou raiz, deixando uma porção variável acima e abaixo da superfície do solo. Após o enraizamento e pegamento, as estacas são transplantadas em raiz nua ou com torrão para o local definitivo (vd. subtipos abaixo).
Mergulhia Na mergulhia, promove-se a formação de raízes adventícias colocando caules jovens, não destacados da planta-mãe, em contacto com o solo ou com um substrato adequado. Após o enraizamento, os caules são destacados da planta-mãe («desmamados») e transplantados para o local definitivo (vd. subtipos abaixo).

Pôlas radiculares


(= rebentões de raiz)

Envolve a emissão de ramos epicórmicos resultantes do abrolhamento de gomos adventícios localizados nas raízes de plantas lenhosas (root suckers). Pontualmente utilizada na perpetuação de povoamentos florestais explorados em talhadia (e.g., carvalhais de Quercus pyrenaica, Fagaceae) e na propagação de algumas espécies ornamentais (e.g., Salix [Salicaceae], Acacia melanoxylon [Fabaceae] e fiteira [Cordyline australis, Asparagaceae, Lomandroideae]).

Pôlas do colo ou da touça


(= rebentões do colo ou da touça)

Emissão de ramos epicórmicos provenientes do abrolhamento de gomos dormentes ou adventícios localizados no colo (pôlas do colo) ou na touça de plantas lenhosas (pôlas de touça, rebentos de touça ou rebentões de touça; stump sprouts). As touças (ou toiças) são a porção remanescente do tronco após o corte (regra geral, coincidente com a região do colo) das espécies lenhosas com regeneração vegetativa. As pôlas de touça são amplamente utilizadas na perpetuação de povoamentos florestais explorados em talhadia (e.g., carvalhais, castinçais e eucaliptais).

Rebentos de raiz


(= rebentos radiculares)

Emissão de lançamentos caulinares a partir de raízes (e seus fragmentos) em plantas herbáceas; e.g., três importantes infestantes na Europa: o Cirsium arvense (Asteraceae), a corriola (Convolvulus arvensis, Convolvulaceae) e o Rumex acetosella (Polygonaceae). Não existe um termo em língua portuguesa de uso perfeitamente estabelecido para este tipo de multiplicação vegetativa (conhecido em francês por drageon e em inglês por root shoot); rebento de raiz ou rebento radicular são opções razoáveis e claras.
Enxertia Consiste em fazer desenvolver sobre uma parte de uma planta (cavalo, porta-enxerto ou hipobionte) uma outra parte (enxerto ou epibionte) da mesma espécie ou de outra espécie filogeneticamente próxima; e.g., enxerto de pistácio (Pistacia vera, Anacardiaceae) sobre cornalheira (P. terebinthus) ou pereira sobre marmeleiro. Nas plantas enxertadas, o sistema radicular pertence ao porta-enxerto e a parte aérea ao enxerto (ou é partilhada entre este e o cavalo). A enxertia é fácil de realizar em muitas dicotiledóneas através do contacto câmbio-câmbio, mas muito difícil nas monocotiledóneas (possível apenas através do contacto entre meristemas intercalares). O sucesso da enxertia depende fundamentalmente de um bom contacto entre os câmbios do enxerto e do cavalo.
TIPOS DE ESTACARIA (Principais métodos de propagação por estaca)
Estacas foliares E.g., peperómia (Peperomia caperata, Piperaceae), saintpaulia (Saintpaulia ionantha, Gesneriaceae) e sanseviéria (Sansevieria trifasciata, Asparagaceae, Nolinoideae).
Estacas caulinares

O número de gomos enterrados ou emersos acima do solo varia com a espécie e a cultivar. Existem dois critérios maiores de classificação:


a) Quanto ao tipo: Podem envolver ramos inteiros (tanchões) ou fragmentos de caule. Nestes últimos distinguem-se:


Estacas-simples: segmento de ramo da mesma ordem (e.g., Salix, Platanus orientalis var. acerifolia, oliveira, crisântemos, poinsétia, craveiro e mandioca);


Estacas-talão: segmento de ramo acompanhado da casca ou de parte do ramo de ordem superior onde se insere (e.g., choupo-branco, ulmeiros e teixo).


b) Quanto ao atempamento:


Herbáceas: ramos do ano colhidos durante o período de crescimento vegetativo (e.g., craveiro e batata-doce);


Semilenhosas: ramos do ano colhidos próximo do final da estação de crescimento (e.g., oliveira e cacaueiro);


Lenhosas: ramos colhidos no período de repouso vegetativo (e.g., marmeleiro, videira-europeia, macieira e mandioca).

Estacas radiculares E.g., divisão de raízes das dálias (Dahlia, Asteraceae).
TIPOS DE MERGULHIA (Principais métodos de propagação por mergulhia)
Simples Caules dobrados e enterrados, mantendo-se acima do solo alguns gomos na extremidade distal; e.g., magnólia-comum (Magnolia grandiflora, Magnoliaceae). Era o método mais usado na propagação da videira na Idade Média.
Invertida Ao contrário da mergulhia simples, enterra-se no solo a extremidade distal do caule. Uso pouco frequente.
Total, chinesa ou cameação Caules enterrados a todo o comprimento, ficando emersa apenas a extremidade distal. As gemas voltadas para cima dão origem a caules aéreos, formando-se raízes na face oposta. Uso pouco frequente.
Múltipla ou em serpentina Um único caule, de grande dimensão, mergulhado mais do que uma vez no solo ao longo do seu comprimento. Muito usado na propagação de trepadeiras; e.g., clemátides (Clematis, Ranunculaceae) e glicínias (Wisteria sinensis, Fabaceae).
Amontoa Caules (e.g., varas de uma touça) amontoados (cobertos de solo na base) sem torção artificial dos ramos. O enraizamento pode ser forçado com a aplicação de anéis de arame na base dos caules. Técnica aplicada a plantas difíceis de propagar por estaca; e.g., sobreiro (Quercus suber, Fagaceae), tílias (Tilia, Malvaceae, Tilioideae), hibiscos (Hibiscus, Malvaceae, Malvoideae) e porta-enxertos de macieira, aveleira e castanheiro.

Alporquia


(= mergulhia aérea)

Formação de raízes induzida através da colocação de um substrato humedecido, sustido por um plástico, pano ou vidro, em torno de um caule aéreo intacto; e.g., pitangueiras, cameleira (Camellia japonica, Theaceae), litchi e jabuticabeira.
TIPOS DE ENXERTIA (Principais métodos de propagação por enxertia)
De encosto União lateral de duas plantas com sistemas radiculares independentes; após o pegamento, uma delas é destacada da sua própria raiz. Correntemente praticada no meloeiro; adequada a todas as espécies que se propaguem por garfo ou por borbulha.

De garfo


(= ramo destacado)

Uma porção de caule (garfo), com um pequeno número de gomos, é retirada de uma planta-mãe; a extremidade proximal é, geralmente, cortada em forma de bisel e inserida num porta-enxerto; o enxerto é posteriormente envolvido por ráfia ou um substituto isolante equivalente. Muito usada na macieira, pereira, videira-europeia e no castanheiro. Existem numerosos subtipos de enxertia por garfo que não cabe aqui desenvolver (e.g., fenda simples, fenda cheia, fenda inglesa, fenda dupla, em ómega, incrustação, e de coroa ou cabeça). Geralmente realizada no final do inverno/início da primavera, pouco antes do abrolhamento.

De gomo


(= borbulha)

Na enxertia de borbulha (o tipo mais comum), faz-se uma incisão na casca do porta-enxerto até atingir o câmbio, em forma de T ou de T invertido. Afastam-se as duas abas libertando o câmbio e abre-se uma «janela» onde se insere um pequeno fragmento de casca contendo uma única gema (a borbulha); a zona é depois envolvida com ráfia ou fita plástica. Técnica corrente em Citrus (Rutaceae) e nas prunoídeas (Rosaceae). Outras variantes da enxertia de gomo incluem as enxertias de placa, de anel, de flauta (tradicional no castanheiro) e de gomo destacado. É obrigatoriamente realizada numa fase em que o câmbio está ativo ("a dar o casulo"). Nas regiões extratropicais do hemisfério Norte, as enxertias de gomo feitas antes do abrolhamento (fevereiro-março, com gomos do ano anterior) e as de maio-junho (com gomos do ano) abrolham no próprio ano; as enxertias de agosto e setembro (gomo dormente do ano) pegam, mas só abrolham na primavera do ano seguinte.