1. Natureza e funções da raiz
A raiz é um dos três órgãos fundamentais das plantas. Evoluiu após o caule e antes da folha (volume II). Ao contrário dos caules e das folhas, o sistema radicular apresenta gravitropismo positivo (cresce ao afundar-se no solo) e, salvo raras exceções, permanece oculto no solo durante todo o ciclo de vida das plantas. Além do gravitropismo positivo, caracterizam a raiz a simetria radial, a ramificação endógena, a presença de pelos radiculares e de caliptra, e a ausência de adaptações à fotossíntese (e.g., estomas e cloroplastos) (Groff & Kaplan, 1988; Kenrick & Strullu-Derrien, 2014). As raízes não têm nós porque não têm meristemas axilares nem suportam folhas.
As raízes desempenham múltiplas funções, combinadas de diferentes formas, consoante as espécies, e distribuídas desigualmente por todo o sistema radicular (Quadro 10). A absorção e o transporte de água e nutrientes, a ancoragem ao solo e a acumulação de reservas são as funções mais evidentes.
Entende-se por rizosfera o volume de solo influenciado pela atividade radicular. A absorção está concentrada nas extremidades radiculares. Em geral, apenas 10% do comprimento total do sistema radicular absorve água, e não mais de 30% participa da captura de nutrientes (Hodge et al., 2009). As raízes de maior diâmetro transportam água e nutrientes em direção à parte aérea, fotoassimilados no sentido inverso, prendem as plantas ao substrato e, nas plantas perenes, desempenham uma importante função de reserva.
A robustez da fixação ao substrato depende, em grande medida, da biomassa aérea e da altura da canópia, das características do substrato (e.g., profundidade útil do solo, ocorrência de impermes e encharcamento) e das condições ambientais (e.g., presença de competidores). As raízes (e os caules) acumulam e libertam hidratos de carbono não estruturais – funcionam como fontes (sources) ou como sumidouros (sinks) – de modo a manter o corpo da planta adequadamente abastecido com a energia necessária para o crescimento e reprodução, e para gerir eventos de perturbação (e.g., fogo e herbivoria) e variações, periódicas ou não, das condições ambientais (e.g., ciclo anual das estações ou secas extremas) (Pregitzer, 2008).
A grande maioria das plantas absorve água e nutrientes do solo pelas raízes, mas há exceções. Nas plantas parasitas, os nutrientes e a água são obtidos, total ou parcialmente, dos seus hospedeiros pela ação de raízes ou de caules metamorfoseados em haustórios (Quadro ???). As plantas epífitas extraem com raízes aéreas especializadas nutrientes de resíduos orgânicos (e.g., folhas mortas), de partículas inorgânicas arrastadas pelo vento (e.g., argilas), e da água da chuva ou dos nevoeiros. Nas bromélias (Bromeliaceae) epífitas, a absorção de água e nutrientes é feita por pequenas escamas situadas na base das folhas, mergulhadas na água que enche as bainhas; as raízes aderem as plantas ao substrato.
QUADRO ???. Funções da raiz (fontes diversas)
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