Pseudantos, proliferação tardia e metamorfoses
A plasticidade evolutiva das plantas frequentemente origina arquiteturas que desafiam a classificação morfológica tradicional. Destacam-se três exemplos: pseudantos, proliferação tardia e metamorfoses da inflorescência.
Os pseudantos são inflorescências que emulam flores. Geralmente, resultam da agregação de flores pequenas em inflorescências compactas, com a forma de uma única flor. O capítulo da família Asteraceae é o exemplo clássico. Na edelweiss ou flor-da-neve (Leontopodium, Asteraceae) ou em Evax (Asteraceae) diferenciou-se, inclusivamente, um pseudanto de capítulos (Figura 155-A). A completar a ilusão, algumas cenouras-bravas (Daucus, Apiaceae) têm, a simular um pistilo ou um inseto pousado, uma flor estéril saliente no centro de uma grande umbela composta plana, constituída por dezenas de pequenas flores brancas (Figura 155-B).
No abacateiro e nos géneros Callistemon (limpa-garrafas, Myrtaceae), Ananas (ananases, Bromeliaceae) e Eucomis (Asparagaceae, Scilloideae), o meristema apical cessa de produzir flores, ou ramos laterais com flores, e retorna à condição de meristema vegetativo (Figura 173). O mesmo ocorre em Lavandula (Lamiaceae), com a produção de um número escasso de folhas modificadas, coloridas e atrativas para os polinizadores (Figura 156). Designam-se estes casos por proliferação tardia (Weberling 1992).
As inflorescências transformadas em gavinhas dos maracujazeiros (Passiflora, Passifloraceae) e videiras (Vitis, Vitaceae) são dois belos exemplos de metamorfose da inflorescência.