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9. Polén

O pólen é exclusivo dos espermatófitos. Guarda no seu interior o microgametófito, servindo de veículo de transporte da informação genética masculina. Tem uma segunda função em algumas espécies: servir de recompensa alimentar para os polinizadores.

No momento da dispersão do pólen, o microgametófito das angiospérmicas tem 2 ou 3 células (v. «Microsporogénese e microgametogénese»). O gametófito das gimnospérmicas é disperso com 1 a 5 células, exceto nas Podocarpaceae, onde este número atinge as 4 dezenas  (Fernando et al., 2010).

O pólen varia de ca. 3µm3 µmca. 250µm,250 µm, com uma média em torno dos 35µm35 µm (Erdtman cit. (Barth, 1991)). A parede do pólen (= esporoderme) protege as células que constituem o microgametófito de impactos e da abrasão, da dessecação e da radiação solar, durante o percurso desde a antera até ao estigma. A esporoderme (e o grão de pólen) expande-se e contrai-se em resposta ao teor de humidade do ar. Tem duas camadas:

  • Intina – camada celulósica;
  • Exina – camada externa composta por esporopolenina, um biopolímero complexo, de composição química pouco conhecida, muito resistente à degradação por enzimas e agentes químicos reativos.

Na exina, por sua vez, reconhecem-se uma camada interna (endexina; endexine) e outra externa (ectexina; ectexine) (Figura 178-A). A endexina é laminada (composta por camadas sobrepostas) nas gimnospérmicas e homogénea nas angiospérmicas. Neste último grupo de plantas, a ectexina está diferenciada, de dentro para fora, numa camada inferior (foot layer), numa camada columelar (columellar layer) e num tectum onde se inserem elementos esculturais.

A camada columelar falta em alguns grupos muito antigos de angiospérmicas (e.g., Nymphaeaceae); é constituída por pequenas colunas (columelas) que conectam a camada inferior com o tectum. A ectexina das gimnospérmicas segue outros padrões, sem columelas. O pólen das plantas anemófilas tende a ser liso e o das plantas entomófilas rico em ornamentações.

Na superfície da exina observam-se pequenas aberturas circulares – poros – ou em forma de fenda – colpos (Figura 178-B, C). Os grãos de pólen são primariamente classificados em função do tipo de abertura (G. Teixeira & Branco, 2006). Assim, o pólen pode ser colpadoporadocolporado (com aberturas que combinam um colpo e um pequeno poro) ou zonado (aberturas aneladas ou em bandas). Estes termos podem ser precisados com base no número de aberturas; e.g., pólen monocolpado (com um colpo), tricolpado (com três colpos), monoporado e policolporado. Os pólenes monocolpados e tipos derivados são característicos das angiospérmicas basais, magnoliídeas e monocotiledóneas. A presença de pólen tricolpado ou de tipos derivados (e.g., pólen triporado) é um carácter derivado (apomorfia) das eudicotiledóneas (Simpson, 2019).

As ornamentações da superfície da exina permitem, em muitos casos, a identificação dos grãos de pólen ao nível do género ou mesmo da espécie (Figura 178-D, E). Os palinólogos – os especialistas na identificação morfológica de grãos de pólen, atuais ou fósseis – usam estas e outras características para seguir a evolução das plantas com semente no registo fóssil e para estudar a dinâmica da paisagem vegetal e do clima a várias escalas temporais.