7. Hipanto
O hipanto (= tubo floral; hypanthium) é uma estrutura contínua, em forma de disco, taça, cálice ou tubo, que rodeia e envolve o gineceu nas flores perigínicas de ovário súpero, ou que emerge na extremidade nas flores perigínicas de ovário ínfero (Figura 184). Nas flores com hipanto – flores perigínicas e parte das flores epigínicas –, as peças do perianto e os estames inserem-se, geralmente, no bordo deste. O hipanto pode assemelhar-se pela cor com o cálice ou a corola concrescentes, dificultando a sua identificação (e.g., Grossulariaceae e Onagraceae).
O hipanto evoluiu de forma independente em vários grupos de plantas com semente, tendo origem numa expansão do recetáculo (recetáculo alargado, hipanto s.str.; e.g., Rosaceae), ou na adnação, pela base, das peças do perianto e dos filetes (e.g., Thymelaeaceae). Alguns autores preferem designar esta última estrutura por pseudo-hipanto. A distinção entre hipanto s.str. e pseudo-hipanto não é fácil. Para complicar ainda mais o tema, nas flores simpétalas de estames epipétalos, o tubo da corola inclui tecidos dos estames, o que o aproxima do conceito de hipanto. Para usar, de forma minimamente consistente, o conceito de hipanto, é conveniente, pelo menos, não o confundir com recetáculo.
A presença de hipanto é frequente em algumas famílias de plantas com flor (e.g., Rosaceae, Fabaceae, Grossulariaceae e Thymelaeaceae). À semelhança da concrescência do perianto, reduz as perdas de néctar por evaporação, dificulta o acesso de parasitas, ladrões de néctar e fitófagos ao interior da flor, e seleciona polinizadores. Em muitas espécies, aloja nectários na sua superfície interior, funcionando como uma cisterna de néctar (e.g., Prunus, Rosaceae). Em vários Prunus, tem cores vivas para marcar a localização de recompensas em néctar e atrair polinizadores (Figura 171). O hipanto também serve para separar os estames dos estigmas, promovendo a polinização cruzada (Grant, 1950).