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Galhas

As galhas (ou cecídias) são crescimentos anormais – hipertrofias e hiperplasias dos tecidos vegetais – induzidos por organismos parasitas, nomeadamente insetos, ácaros, fungos, bactérias ou vírus. Embora mais comuns nas folhas, ocorrem também nas raízes, nos caules e nas estruturas da flor. Muitas vezes, apresentam formas e cores tão características que permitem identificar, de forma indireta e inequívoca, o agente causal (o organismo galhícola). É importante não confundir as galhas com características morfológicas intrínsecas das plantas.

As galhas são extremamente comuns na natureza; só na Europa estão descritos mais de 10.000 tipos de etiologia animal ou fúngica (Roskam, 2019). Na bacia Mediterrânica, são particularmente frequentes e diversas nos carvalhos (Quercus, Fagaceae) (Figura 44-A,C,D). São exemplos clássicos as grandes galhas de Andricus quercustozae (Hymenoptera, Cynipidae) em Q. pyrenaica ou Q. faginea, vulgarmente conhecidas por bugalhos ou "coroa-de-rei", ou as galhas de Dryomyia lichtensteini (Diptera, Cecidomyiidae) nas folhas do sobreiro e da azinheira (Q. rotundifolia). O nome vulgar da mediterrânica Pistacia terebinthus (Anacardiaceae) – cornalheira – deve-se às galhas foliares corniformes produzidas pela Baizongia pistaciae (Homoptera, Pemphigidae) (Figura 44-B).

Nos ramos das oliveiras, frequentemente na sequência de feridas causadas pelo varejamento, surgem tumores de origem bacteriana – a tuberculose da oliveira – causados por Pseudomonas savastanoi pv. savastanoi (Figura 45). Outra bactéria do solo, o Agrobacterium tumefaciens, é capaz de induzir galhas (tumores do colo) num leque alargado de hospedeiros, sobretudo em 'dicotiledóneas'. Esta espécie possui a capacidade única de transferir um segmento do seu próprio ADN (o T-DNA) para o genoma da célula vegetal, reprogramando-a geneticamente. Devido a este mecanismo natural, o A. tumefaciens tornou-se a ferramenta central da biotecnologia vegetal: ao substituírem os genes bacterianos causadores do tumor por genes de interesse agronómico, os cientistas utilizam esta bactéria como vetor para criar plantas transgénicas. Os nódulos das leguminosas são também galhas de etiologia bacteriana (v. «Mutualismos com bactérias diazotróficas»).

A introdução na Europa, a partir da América do Norte, da filoxera-da-videira (Daktulosphaira vitifoliae, Hemiptera, Phylloxeridae) – um inseto galhícola de raízes e folhas – teve um efeito devastador na economia das regiões vitícolas europeias no final do século XIX. O inseto ataca as raízes das videiras europeias (Vitis vinifera), causando a morte da planta. Crê-se que a praga chegou à região do Douro (Portugal) em 1868 (C. Martins, 1991). A crise foi debelada com a introdução da técnica da enxertia de garfo em porta-enxertos de espécies de Vitis, resistentes à filoxera, de origem norte-americana.