Morfologia externa da raiz
Tipos de raiz
Do ponto de vista ontogénico, existem três tipos de raízes: primárias, laterais e adventícias. A raiz primária (= principal) (primary root, tap root) resulta do alongamento da radícula; tem, portanto, uma origem embrionária. Numa primeira fase da construção do sistema radicular, as raízes laterais (lateral roots) derivam, por ramificação, da raiz primária ou de raízes adventícias. Em seguida, a diferenciação de raízes secundárias prolonga-se às raízes de ordem superior. Assim, as raízes laterais designam-se, quanto à ordem de formação, por raízes secundárias (= raiz lateral de primeira ordem), terciárias (raiz lateral de segunda ordem), etc. O conjunto das raízes de ordem superior, geralmente finas e ativas na absorção, constitui o cabelame. A tipologia das raízes é aprofundada no ponto «Metamorfoses da raiz»[1].
É importante referir que nem todas as raízes laterais são funcionalmente idênticas, um fenómeno conhecido por heterorrizia (heterorhizy). Distinguem-se frequentemente raízes laterais pioneiras (longas, de crescimento rápido, que colonizam o solo e formam a estrutura perene; pioneer roots) e raízes laterais fibrosas (curtas, finas e de vida curta, especializadas na absorção de nutrientes; fibrous roots) (Fitter., 1987). Esta tipologia expressa uma estratégia de exploração/ocupação similar à diferenciação entre macroblastos (ramos longos) e braquiblastos (ramos curtos) na parte aérea, apresentada mais adiante.
As raízes adventícias têm origem caulinar (raízes caulógenas) ou, mais raramente, foliar. Nas gramíneas são designadas por raízes nodais (v. «Sistema radicular das gramíneas»). As raízes provenientes de raízes engrossadas, localizadas nas partes velhas do sistema radicular, são também qualificadas como adventícias. As raízes adventícias diferenciam-se em tecidos imediatamente exteriores aos tecidos vasculares (geralmente junto ao floema), de modo a facilitar a conexão vascular com o órgão onde se inserem. Por regra, são geradas a partir de células parenquimatosas definitivas, e menos frequentemente de células do câmbio ou de calos (Hartmann et al., 2014). As raízes adventícias podem estar (i) preformadas (latentes) ou serem (ii) formadas de novo. As raízes preformadas diferenciam-se naturalmente durante o desenvolvimento do caule, sem um estímulo indutor externo óbvio, podendo ser visíveis exteriormente (e.g., raízes aéreas) ou permanecer imersas no caule como pequenos aglomerados de células (primórdios latentes). As raízes formadas de novo são geralmente induzidas por trauma (corte) ou aplicação de auxinas (Hartmann et al., 2014). Em todos os casos, fala-se de primórdios radiculares adventícios.
[1] Na bibliografia nacional e internacional, a locução “raiz primária” é usadaempregada com dois sentidos. Pode referir-se à raiz sem crescimento secundário, distinguindo-se, assim, raízes primárias e raízes secundárias e, de forma análoga, caules primários e caules secundários. Num segundo sentido, a “raiz primária” é o mesmo que “raiz principal”.