12. Néctários florais e osmóforos
O néctar é uma solução açucarada, rica em compostos aromáticos, secretada pelos néctares florais para o exterior ou o interior da flor. O néctar extrafloral é produzido em nectários extraflorais (v. «Hidátodos, nectários extraflorais e corpos nutritivos»). A gota de polinização das gimnospérmicas não cabe no conceito de néctar (v. «Ciclo de vida das gimnospérmicas atuais»). O néctar atua, primariamente, como uma recompensa para os polinizadores (Nepi et al., 2009). Também distrai a atenção dos visitantes do pólen: enquanto o néctar é produzido de forma contínua, a oferta de pólen é finita e mais cara em termos energéticos (Westerkamp & Classen-Bockhoff, 2007). Em certas espécies, o néctar floral tem um duplo propósito de atrair de predadores de fitófagos e polinizadores – daí fazerem-se correntemente sementeiras de espécies como o trigo-sarrraceno (Fagopyrum esculentum, Polygonaceae) ou de funcho (Foeniculum vulgare, Apiaceae) para atrair insetos auxiliares.
Os nectários florais têm uma localização muito variada na flor: no recetáculo (e.g., disco glandular de Rutaceae, Sapindaceae e Ericaceae, e tubérculo glandular de Brassicaceae), no epicálice (e.g., algodoeiros [Gossypium, Malvaceae]), na face interior do hipanto (e.g., Prunus e outras Rosaceae), nas sépalas (muitas Malvaceae e Malpighiaceae), nas pétalas (e.g., alguns Ranunculus [Ranunculaceae]), nos esporões com origem no recetáculo, no cálice ou na corola, nos estaminódios (e.g., muitas Lauraceae) e no gineceu (Figuras 185-B e 229). Este último caso inclui os nectários circunscritos à sutura carpelar, comuns nas monocotiledóneas, conhecidos por nectários septais.
Para atrair insetos polinizadores, muitas flores libertam odores de glândulas especializadas – os osmóforos – sediados nos mais diversos órgãos florais, com mais frequência no perianto; e.g., asas ou estandarte em muitas leguminosas e coroa dos Narcissus.