1. Natureza e funções do fruto
O fruto s.str. (num sentido estrito) resulta do desenvolvimento do(s) ovário(s) de uma flor, regra geral, após e em consequência da fecundação. Num sentido lato – fruto s.l. –, o fruto pode incluir tecidos não provenientes do ovário, com origem no cálice, no recetáculo (pseudofrutos) ou nos caules da inflorescência (infrutescências) (Figura 194). O conceito de infrutescência é usadoempregado neste texto numem sentido lato: qualquer inflorescência com ascujas flores convertidasse convertam em fruto. São inflorescências uma espiga de milho-graúdo, um ouriço com castanhas, um cone ♀ de lúpulo, uma umbela de cerejas, um figo ou um ananás. A coesão das estruturas de origem ovarial e caulinar num figo ou numa umbela de cerejas não é, obviamente, a mesma.
O fruto tem um papel fundamental na sobrevivência, dormência e germinação das sementes, e no recrutamento de plântulas e/ou na promoção da variação genética. Para tal, desempenha uma ou mais das seguintes funções (aprofundadas nos pontos «Dormência e germinação da semente» e «Dispersão»):
- Proteção da semente contra parasitas e animais granívoros;
- Em certas espécies, colabora na dormência física da semente;
- Promoção da dispersão da semente;
- Facilitação do enterramento das sementes;
- Ajuda na germinação.
Os tipos mais comuns de frutos (e.g., carnudos, secos, deiscentes e indeiscentes) não estão correlacionados com os grandes clados (ao nível da ordem) de angiospérmicas (Lorts et al., 2008). A família da oliveira (Oleaceae), à semelhança de muitas outras, inclui géneros com frutos secos, deiscentes ou indeiscentes, barocóricos ou dispersos pelo vento, e géneros com frutos carnudos. Estas observações sugerem que os frutos são objeto de intensa seleção e que a evolução dos frutos é muito flexível, não estando sujeita a grandes restrições filogenéticas. Por exemplo, a conversão independente de drupas em cápsulas e vice-versa é frequentecomum em várias famílias de plantas (Pabón-Mora & Litt, 2011).