Skip to main content

4. Diversificação das plantas com flor no Cretácico: a fora neofítica

Etapas maiores da diversificação e da ascensão ecológica das angiospérmicas no Cretácico

A origem das angiospérmicas foi abordada no ponto anterior; em seguida, é ensaiada uma análise diacrónica, centrada no Cretácico, das primeiras etapas da ascensão das angiospérmicas à condição de produtores primários dominantes dos ecossistemas terrestres. No final do capítulo, é retomada a discussão em torno das causas do seu sucesso evolutivo. Para colocar o problema no quadro ??? ensaia-se um resumo da ascensão angiospérmicas com base no extraordinário artigo de Ding et al. (2025).

QUADRO ???. Etapas maiores da diversificação e da ascensão ecológica das angiospérmicas no Cretácico e no Cenozoico (Ding et al., 2025)

Período Geológico Diversificação Taxonómica (Especiação) Dominância Ecológica (Biomassa e Paisagem) Notas Paleoecológicas

Cretácico Inferior a Médio

(ca. 135–100 Ma)

Explosiva. Rápida divergência entre as principais linhagens e grandes inovações na flor. Marginal (muito baixa). Plantas pequenas, herbáceas ou arbustivas. Restritas a nichos ecológicos pioneiros: sub-bosque perturbado e margens de superfícies de água livre. As gimnospérmicas e os fetos ainda dominam a biomassa dos ecossistemas terrestres.

Cretácico Superior

(ca. 100–66 Ma)

Alta. Consolidação dos grandes clados (eudicotiledóneas, monocotiledóneas). Moderada a crescente. Primeiras incursões no estrato arbóreo. Aumento da abundância local, mas as gimnospérmicas ainda mantêm o domínio estrutural de grande parte das florestas do planeta.

Limite K-Pg

(66 Ma)

Sobrevivência seletiva. Algumas linhagens extinguem-se, mas o clado resiste bem globalmente. Oportunidade ecológica. A extinção em massa dizima os dinossauros (grandes herbívoros) e provoca o colapso das florestas maduras de gimnospérmicas.

Paleogénico e Neogénico

(66 Ma – Presente)

Contínua. Diversificação impulsionada por novos nichos, polinizadores e dispersores. Absoluta. Substituição global. Emergência e consolidação dos biomas modernos (e.g., florestas tropicais húmidas de canópia fechada dominadas inteiramente por angiospérmicas).