O aproveitamento da terra poderá ser um dos grandes cofres do país

O secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural considerou que o aproveitamento da terra e revitalização da agricultura, poderão ser dois grandes cofres que o país tem à disposição e que estão cheios.

“A terra é um valor estável e concreto, sendo um cofre que nós temos à nossa disposição, apenas é preciso saber aproveitá-lo”, disse Daniel Campelo.
O governante que falava à margem da inauguração da unidade de transformação de carne de raça bovina mirandesa, que se realizou no concelho transmontano de Vimioso referiu que “o aproveitamento agrícola é uma tarefa que compete a todos, ou seja, ao Governo, às autarquias, às associações de produtores e aos agricultores em geral”.
Pegando no exemplo da unidade transformadora, o governante alertou que novos projectos como o que hoje foi inaugurado podem ser “uma alavanca de esperança” para desenvolvimento rural “ajudando novas gerações a aproveitar a terra que está disponível”.
O governante acredita ainda que a “qualidade de vida” que se vive no interior poderá atrair pessoas às regiões mais despovoadas.
“Nós podemos ser auto suficientes em termos agrícolas, não só na carne, mas noutros produtos e podemos mesmo exportar alimentos de alta qualidade em vez de os importarmos”, concluiu Daniel Capelo.

em RBA

Publicado em Noticias | Tags , , | Deixe o seu comentário

Serviços de rotina vão ser transferidos para associações de agricultores

O Governo quer transferir de forma «gradual» os serviços de rotina para as associações de agricultores e criar uma «bolsa de terras», cedidas de forma voluntária, para fomentar o mercado de arrendamento rural.

De acordo com o programa hoje entregue na Assembleia da República, o Governo pretende «dar uma resposta aos agricultores concentrada e mais próxima, o que passará por uma transferência gradual de serviços de rotina para as associações de agricultores».

No entanto, o programa não detalha quais os serviços que deverão ser transferidos.

Outra das medidas que visa «aumentar a disponibilidade de terras a custo comportável para a agricultura» prevê a criação de uma «bolsa de terras» que serão cedidas de forma voluntária por agricultores que não tenham capacidade ou condições para explorar as suas terras.

Infra-estruturas e terras que não estão a ser aproveitadas pelo Estado poderão também ser cedidas «dando-se prioridade às associações de agricultores e aos jovens agricultores».

O Governo compromete-se ainda, segundo o programa, a aproveitar na totalidade as verbas comunitárias destinadas a apoiar o rendimento dos agricultores (RPU), através de um acordo com a Comissão Europeia que certifique o procedimento português em termos de fiscalização das ajudas directas, evitando novas penalizações.

O documento acrescenta que está garantida a comparticipação nacional necessária para concluir o PRODER (cofinanciado até 2015), que será alvo de revisão.

O Governo quer preparar um programa de investimentos de apoio comunitário para o período pós-2013, assente na discriminação positiva para jovens e pequenos agricultores e simplificação das candidaturas.

Para os sectores ligados ao mar, o Governo prevê «acelerar a execução do programa comunitário de investimento na pesca – PROMAR» e o relançamento do sector pesqueiro «ao nível da competitividade mundial», com revisão dos planos de pesca para espécies específicas.

Lusa/SOL

Publicado em Noticias | Tags , , , | Deixe o seu comentário

O futuro da agricultura

Em 10 de Junho, o Presidente da República chamou a atenção para a importância da agricultura no nosso futuro. Com plena oportunidade e adequação.
O estado da agricultura é o resultado de anos e anos de abandono. Foi sendo relegada para o fim de quase tudo. Seja pela pouca apetência eleitoral, pois cobre uma população escassa e esquecida, seja porque não tem o “poder de rua” de outros sectores, seja ainda porque o país se virou sofregamente para a “via rápida” do consumo.

Esta perspectiva, aliás, afecta todo o sector primário, sujeito a uma cultura de indiferença e insensibilidade e dizimado pelo êxodo e envelhecimento demográficos. A agricultura foi trocada por euros PAC, a floresta descuidada, o mar desaproveitado.

As estatísticas não reflectem a realidade da terra. O PIB é um indicador imperfeito e incompleto. Não toma em conta a apreciação ou a depreciação dos recursos naturais. Se tal sucedesse, haveria uma maior atenção maior a este sector, pois que os governantes se sentiriam mais escrutinados…

O défice alimentar ronda os 3.000 milhões de euros anuais com uma relação exportações/ importações que em pouco supera os 50%. Com as condições naturais de que usufruímos, é absurdo que importemos muitos bens agrícolas. Num tempo em que Portugal se endivida acima do suportável, a agricultura produz bens transaccionáveis no duplo sentido: evitando importações e aumentando as exportações.

São necessárias políticas públicas de estímulo às novas gerações, de maior investigação agrária, de melhor aproveitamento dos fundos europeus, de reformulação dos seguros, de maior empresarialização agrícola que erradique os défices de organização, gestão e inovação e de um Ministério menos burocrático e mais amigo do investimento nesta área.

Bagão Félix
Economista e ex-ministro das Finanças em governo PSD/CDS
em negócios

Publicado em Noticias | Tags , , , , | Deixe o seu comentário

Saída para a crise pode estar na agricultura

A dinamização do setor da agricultura pode ajudar o país a sair da crise, se houver uma aposta no crescimento da produção nacional, substituindo, por essa via, algumas importações.

O setor agrícola pode “ajudar o país a sair da crise” se houver uma aposta no crescimento da produção nacional e se as novas gerações abraçarem uma profissão que se tornou mal amada.

“Há muita necessidade de mão de obra nesta actividade. Se as pessoas quiserem têm imensas oportunidades. É uma das actividades que vai poder ajudar o país a sair da crise”, disse João Coimbra, agricultor, à agência Lusa.

Com produção numa área que não necessita de grandes quantidades de mão de obra — cerca de 350 hectares, na esmagadora maioria milho, mas também floresta, que empregam oito pessoas a tempo inteiro — João Coimbra assegura que “se as pessoas quiserem dedicar-se a esta actividade têm imensas oportunidades”.

No seu entender, este setor pode absorver a mão de obra desempregada, sublinhando que as condições de trabalho atuais no campo são incomparavelmente melhores que as que criaram um estigma em volta do trabalho agrícola. Para João Coimbra, é essencial que se atinja o objetivo da “auto suficiência em valor”, isto é que a produção nacional cubra o consumo e se compensem os produtos que forçosamente o país tem que importar, por não ter condições para os produzir, exportando outros em que possamos ser excedentários.
Há água e terra em Alqueva

“Por exemplo, no milho temos muito caminho a fazer. Temos uma região enorme no Sul de Portugal, com o grande investimento que se fez no Alqueva, onde há terrenos e água disponível”, disse.

A sua esperança é que “haja novos agricultores, novas gerações” a apostarem no setor, sendo esse porventura “um dos maiores desafios que temos pela frente, o da renovação e da vinda de novos empresários, com mais formação e com vontade de ter uma profissão digna e com um rendimento que faça com que haja mais atração por esta actividade”.

A sua empresa não se esgota na produção de milho. Possui uma área florestal — montado, eucalipto e pinheiro — virada para a indústria e a exportação (cortiça, pasta de papel, madeira), uma actividade “bastante interessante” e também ela a precisar de mais gente a investir, disse.
Produzir cá é dinheiro que não sai do país

“Fala-se muito no apoio às empresas exportadoras, na internacionalização das empresas, mas esquece-se a agricultura, em que tudo o que conseguir produzir é valor que não se importa”, disse. João Coimbra aponta duas vantagens da não importação, é dinheiro que não sai do país e “não temos que gastar energia para levar os nossos produtos para o estrangeiro”.

“Os apoios ao setor têm um retorno muito rápido”, disse, lembrando Luís Mira, Secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) que, em cada 100 euros investido na agricultura, o agricultor paga 70, a União Europeia 24 e o Estado português apenas 6, sem contar com o que recebe depois em impostos gerados.

Também Libério Alcobio, que produz no modo biológico, aponta o setor como um potencial a explorar. Na área em que apostou a procura é crescente — o que produz não chega para as encomendas -, sobretudo de nichos de mercado no
estrangeiro, que procuram produtos de altíssima qualidade.

“Nós, como país pequeno, com o clima e os solos que temos, só tínhamos que produzir essa qualidade que éramos auto suficientes. Devia haver uma aposta muito grande do Ministério da Agricultura”, disse à Lusa.

em Expresso

Publicado em Noticias | Tags , , , , | Deixe o seu comentário

“Desempregados podem ter oportunidade na agricultura”

Os “jovens desempregados podem ter uma oportunidade na agricultura”, disse Pedro Passos Coelho num almoço dedicado às questões da agro-pecuária no concelho de Ponte de Lima.

O líder do PSD considerou que “70% do que comemos vem de fora” porque “andamos muitos anos a usar a Política Agrícola Comum para financiar a não produção”, sendo portanto necessário “inverter a situação”.

Falando da orgânica governamental, voltou a dizer que irá “concentrar no futuro ministro da Agricultura a responsabilidade pelo Mar e pelo Ordenamento do Território”.

Face aos governos do PS, o líder do PSD concentrou as críticas em Jaime Silva (do 1º Governo de Sócrates) dizendo que “durante uns anos tivemos um ministro que parecia que queria acabar com a agricultura”. Para o futuro prometeu diálogo e “confiança”: “Queremos que quem faça as leis tenha os pés assentes na terra e fale com os agricultores.” Por causa da desconfiança do Estado “os agricultores perderam muitos milhões a que tinham direito”, acusou.

Passos Coelho voltou a colocar a situação na Grécia ao serviço da sua campanha. Disse que uma eventual recusa europeia de uma segunda operação de assistência financeira internacional será para os gregos “uma tragédia” e “para a Europa não será bom”.

Transpondo para a situação nacional acrescentou: “Eu não quero que isso aconteça em Portugal. Vamos cumprir aquilo que nem fomos nós que negociamos. Mas para isso temos que ter um Governo competente e capaz.”

em DN

Publicado em Noticias | Tags , , | Deixe o seu comentário

O regresso dos receios alimentares

A falta de alimentos, raramente, é a razão para as pessoas terem fome.
Actualmente, o mundo produz alimentos suficientes para alimentar toda a população. O  problema é que cada vez mais e mais pessoas não conseguem comprar os alimentos de que precisam. Mesmo antes da recente subida dos preços dos alimentos, mil milhões de pessoas estavam a sofrer de fome crónica, enquanto outros dois mil milhões sofriam de má nutrição, elevando para três mil milhões o número de pessoas que não conseguem ter acesso aos alimentos de que necessitam, ou seja, quase metade da população mundial.

Os preços dos alimentos, a nível mundial, estão no nível mais elevado desde que começaram a ser monitorizados pela FAO – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura. O Banco Mundial estima que a recente subida dos preços tenha deixado mais 44 milhões de pessoas dos países em desenvolvimento na pobreza.

A rápida subida dos preços mundiais de todas as colheitas alimentares básicas – milho, trigo, soja e arroz – juntamente com outros alimentos como óleos alimentares tem sido devastadora para as famílias mais pobres por todo o mundo. Mas esta subida afectou os padrões de vida de todas as pessoas. As famílias de classe média estão cada vez mais cautelosas com as suas compras; as classes mais baixas estão a perder os progressos alcançados e a ficar abaixo da linha de pobreza; sem surpresa, os pobres e vulneráveis estão a sofrer ainda mais.

A produção alimentar registou um aumento significativo, entre os anos 60 e 70, com a procura pela segurança alimentar e a Revolução Verde, tendo beneficiado de uma considerável apoio governamental e internacional. Mas desde os anos 80, os especialistas em agricultura alertaram para os riscos de aumentar a produção alimentar.

À medida que a oferta alimentar abrandava, a procura continuava a subir, devido não apenas ao aumento da população mas também devido ao aumento da utilização de colheitas alimentares para alimentar o gado. Este problema é exacerbado pela queda significativa do apoio oficial ao desenvolvimento da agricultura nos países em desenvolvimento. Os apoios à agricultura caíram em mais de metade entre 1980 e 2004. Nesse período, os empréstimos do Banco Mundial para a agricultura caíram de 7,7 mil milhões de dólares, em 1980, para dois mil milhões em 2004.

A pesquisa e desenvolvimento agrícola – necessária para melhorar a produtividade das colheitas – caiu em todos os países em desenvolvimento. Entretanto, os gastos do sector privado em pesquisa superam largamente o de todos os institutos de pesquisa agrícola públicos.

Nos países em desenvolvimento, os governos pararam também de subsidiar os agricultores e de estar envolvidos no “marketing”, armazenamento e transporte de alimentos e na concessão de créditos. Entretanto, os países ricos continuam a subsidiar e a proteger os seus agricultores, afectando a produção alimentar nos países em desenvolvimento.

O Banco Mundial e a Organização Mundial de Comércio continuam a defender que um aumento da liberalização do comércio agrícola é a melhor solução de médio prazo. Desde os anos 80, os governos têm sido pressionados para promover as exportações e importar bens alimentares. Como resultado, muitos países pobres recorreram aos mercados mundiais para comprar arroz e trigo barato, em vez de apostarem na produção própria.

Alguns países e regiões que antes eram auto-suficientes em produtos alimentares, têm agora que importar grandes quantidades de alimentos. Isto provocou um aumento dos preços dos alimentos, aumentando ainda mais a angústia das pessoas mais pobres.

Outros factores contribuíram para a crise alimentar. As alterações climáticas, resultantes do aumento das emissões de gases poluentes, exacerbaram os problemas com o fornecimento de água, aceleraram a desertificação e pioraram a imprevisibilidade e severidade dos eventos meteorológicos. Todos estes factores afectaram a agricultura em todo o mundo. A desflorestação, a pressão do crescimento da população, a urbanização, a erosão dos solos, o excesso de pesca, e o impacto do domínio externo no “marketing”, no material utilizado no processo de produção, no processamento e mesmo na agricultura também tiveram um papel nesta crise alimentar.

A subida dos preços do petróleo está também a afectar o preço dos alimentos. A agricultura comercial usa petróleo e gás para operar maquinaria, transportar os bens alimentares e produzir químicos agrícolas necessários para produzir fertilizantes e pesticidas.

Além disso, as colheitas alimentares são, cada vez mais, usadas para produzir biocombustíveis, reduzindo a sua disponibilidade para o consumo humano. Os países ricos têm concedido subsídios generosos e outros incentivos para aumentar a produção biocombustíveis, enquanto os países pobres que encorajaram a produção de biocombustíveis forneceram muito menos incentivos aos agricultores.

Certamente, alguns biocombustíveis são muito mais custo e energeticamente eficientes do que outros, enquanto diferentes “stocks” de biocombustíveis têm custos de oportunidade muito diferentes (por exemplo, o preço do açúcar não registou um aumento significativo). Assim, o debate sobre os biocombustíveis precisa de ser aprofundado.

A especulação também tem contribuído para a subida dos preços dos alimentos. Nos últimos anos, a securitização, a facilidade de transacções “online” e outros desenvolvimentos dos mercados financeiros facilitaram os investimentos especulativos, em especial nos futuros de matérias-primas e no mercado de opções.

Com o agravar da crise financeira no final de 2007, os especuladores começaram a investir em matérias-primas. Este investimento foi, também, impulsionado pela queda do dólar face às outras moedas. De facto, isto pode explicar melhor as recentes subidas dos preços dos alimentos do que os factores na subida de longo prazo.

Nesse caso, o problema que muitas pessoas enfrentam actualmente é de segurança alimentar e não de falta de alimentos. Mas como é óbvio, para alguém com fome ou mal nutrido, em resultado da subida dos preços dos alimentos, esta distinção não faz a menor diferença.

Jomo Kwame Sundaram é membros das Nações Unidas para o Desenvolvimento Económico.

© Project Syndicate, 2011.
www.project-syndicate.org
Tradução: Ana Luísa Marques
em Jornal de Negócios

Publicado em Noticias | Tags , , , | Deixe o seu comentário

A agricultura em Portugal

http://youtu.be/WUZgTZFisbI

Publicado em Noticias | Tags , | Deixe o seu comentário

O mais e o menos do Portugal agrícola

Factor humano é uma das maiores limitações

Os pontos fortes

O sector leiteiro Portugal não só é capaz de produzir o leite que consome como ainda dispõe de uma ligeira margem para exportar. Mais: num sector aberto ao investimento estrangeiro, as marcas nacionais continuam a dominar o mercado. O sucesso do sector resulta em grande parte do trabalho da rede de cooperativas do Norte e do Centro do país que se uniram para criar o gigante Lactogal. A concorrência e a procura da eficiência afastaram dezenas de milhar de pequenos produtores do negócio e, nos dias de hoje, a redução dos preços está a causar ameaças aos que restam. Mas, numa área difícil, a agricultura nacional saiu-se bem.

Azeite É talvez o mais fulgurante caso de sucesso dos últimos anos. Por volta de 1960, a produção de azeite foi ameaçada pelos incentivos políticos concedidos aos óleos vegetais. Quando entrou na CEE, Portugal importava mais de três quartos das suas necessidades, embora reexportasse uma parte. A cultura caiu no esquecimento, mas uma série de investimentos espanhóis, nota Sevinate Pinto, “ensinou-nos como se faz”. Ainda que tenhamos de comprar quase metade das nossas necessidades, na última década fez-se o maior olival do mundo, a área cresceu 10 mil hectares entre 2005 e 2009 e quando os jovens olivais entrarem em produção Portugal pode ficar perto da auto-suficiência.

Frutas e legumes Há anos que se anunciava o potencial nacional para as frutas e legumes e agora esse potencial começa a dar frutos. No ano passado, as exportações do sector ficaram quase 200 milhões de euros acima das do vinho. Sem alarido, nas zonas do Oeste ou no vale do Mira, jovens empresários, voltados para o mercado e abertos à exportação começaram a tornar o sector num caso sério. Portugal é excedentário em legumes, mas, apesar do lento salto na produção de fruta, ainda depende em 35 por cento do que consome do exterior. O país está ainda a ganhar fôlego em novas produções, com o destaque para o kiwi.

Vinhos Os vinhos portugueses ganham cada vez mais prémios internacionais, mas, se não fosse a expressão do vinho do Porto, que vale quase metade dos 594 milhões de euros exportados em 2009, o desempenho externo do sector seria duvidoso. Ainda assim, a viticultura e a enologia deram saltos para níveis internacionais, há empresas com músculo (a Sogrape tem propriedades na Argentina e na Nova Zelândia) e mercados que começam a ficar consolidados, como o do Brasil ou de Angola. No ano passado, as exportações cresceram 17 por cento.

Os pontos fracos

Cereais Em 1990, a agricultura produziu 44,2 por cento das necessidades de consumo de cereais; em 2008, já só respondia por 25,3 por cento. Durante os primeiros anos da PAC, os preços altos ou os subsídios foram mantendo o nível produtivo; quando, depois de 2005, as ajudas da PAC começaram a ser pagas sem qualquer ligação às sementeiras ou às colheitas, os agricultores fizeram as contas e concluíram que a venda de grão não dava em muitos casos para compensar os gastos com adubos ou mão-de-obra. Metade da área foi retirada da produção e em muitos casos transferida para pastagens, nota António Serrano. As condições do solo e do clima nacionais não tornam a produção competitiva.

PAC A arquitectura da PAC foi feita a pensar no Norte da Europa e não no Mediterrâneo. Por exemplo, os cereais ou a carne bovina são altamente subsidiados, mas as frutas e os legumes não. E como o valor dos subsídios se associa aos índices históricos de produtividade, uma agricultura atrasada como a nacional ficou condenada a ser uma espécie de parente pobre . Depois de 2005, a PAC mudou e cristalizou este modelo, concedendo um “pagamento único” por exploração com base nesses índices. Ao permitir que o agricultor escolha o que fazer nas terras, promoveu o abandono de áreas menos competitivas. A nova PAC, prevista para 2013, corrigirá esta situação.

Perfil dos agricultores Há 30 anos, um milhão de portugueses trabalhava na agricultura (nem todos a full-time); em 2009, resistiam 540 mil. Quem ficou? Os mais velhos. Quase 45 por cento têm mais de 65 anos. Nem um por cento tem formação agrícola completa, contra 8,7 por cento da média europeia. Alguns, poucos, lideram empresas, que representam dois por cento das explorações. Não há um retrato padrão dos agricultores, mas sabe-se que, na maior parte dos casos, estão longe de ser capazes de responder à competição actual.
Manuel Carvalho

em Público

Publicado em Noticias | Tags , , , , , , , , | 1 Comentário

A criação de gado pode ser alternativa ao desemprego

Criadores de raça Churra Mirandesa pugnam pelo emparcelamento para aumentar a produção

O regresso à actividade da pastorícia e à criação de gado pode ser uma “boa alternativa” ao desemprego que muitos jovens enfrentam, defendeu Ilídio Rodrigues, vice-presidente da Câmara de Miranda do Douro, à margem do XVI Concurso Nacional da Ovino de Raça Churra Mirandesa, que decorreu em Malhadas no passado dia 23 de Abril. O autarca considera que esta raça autóctone é uma “riqueza”, tanto mais que a carne é valorizada e muito apreciada. “Tem havido alguma diminuição no número de produtores da raça, mas nos tempos que correm, em que há dificuldade em arranjar emprego, creio que as pessoas poderiam começar a pensar em alternativas para ter um rendimento acrescido”, afirmou Ilídio Rodrigues, que considera que “ser pastor não é desprestigiante para ninguém”. O concelho de Miranda do Douro existem actualmente perto de 40 produtores de Churra Mirandesa, uma raça que detém Denominação de Origem Protegida, “o que garante alguns subsídios”, realçou o autarca. No livro genealógico da raça estão registados cerca de seis mil animais e 108 sócios, dos concelhos de Miranda do Douro, Mogadouro e Vimioso. “Com os subsídios e com a venda de cordeiros pode compensar criar estes animais. Há alguma crise e abandono na actividade, porque esta tarefa dá trabalho e é preciso ter jeito. Deve ser uma profissão dignificada e as pessoas devem ter apoio”, sublinhou. O concurso contou com o mesmo número de criadores das edições anteriores, “dois ou três novos, mas também desistiram alguns”, referiu Francisco Rodrigues, presidente Associação Nacional de Criadores de Ovinos de Raça Churra Mirandesa (ACOM).Apesar dos tempos difíceis o sector “está bem”, atestou o responsável, mas continuam a existir dificuldades de comercialização. “Se não fosse aqui a nossa vizinha Espanha, que absorve a maior parte da produção, estaríamos encharcados com animais. O mercado português é fraco porque a carteira é fraca”, lamentou Francisco Rodrigues. Os preços baixos são outro problema que enfrentam os criadores de gado, uma vez que se mantém nos mesmos valores de há vários anos, entre os 40 e os 50 euros por cabeça. “Há umas alturas melhores do que outras. No Natal, Páscoa e Verão vende-se melhor, no resto do ano é mais complicado e o cordeiro entra em queda”, justificou. A raça é DOP mas a carne ainda não é comercializada com este selo de garantia, no entanto trata-se de “um produto de muita qualidade que é imbatível”, frisou. Francisco Rodrigues diz que o emparcelamento faz falta à criação de gado e podia contribuir para o aumento da produção. “Vão acabar por se perder os marcos dos terrenos com o monte. Os terrenos continuam muito fraccionados e desta forma a agricultura cai mesmo no charco”, explicou o dirigente associativo.

em Mensageiro Bragança

Publicado em Noticias | Tags , , , | 21 Comentários

Quem vai alimentar o mundo?

Importancia da Agricultura

Publicado em Noticias | Tags , , | Deixe o seu comentário