Ganhe com o aumento da procura sobre a agricultura

O crescimento da população mundial, associado às mudanças nos hábitos de consumo nos países emergentes, abre boas oportunidades de investimento na agricultura. Em entrevista ao Negócios, Michéal Ramirez, especialista de produto da estratégia do RCM Global Agricultural Trends, defende a aposta no sector.

O aumento da procura mundial, suportado pelo crescimento da classe média nos países emergentes, deverá impulsionar o investimento no sector da agricultura. Em entrevista ao Negócios, Michéal Ramirez, especialista de produto da estratégia do fundo RCM Global Agricultural Trends, defende que, para responder ao crescimento da população mundial e ao aumento da procura, o sector agrícola necessita de grandes investimentos, gerando oportunidades atractivas.

De acordo com as estimativas das Nações Unidas, em 2050 a população mundial deverá ser de nove mil milhões de pessoas. São mais três mil milhões que os seis mil milhões existentes em 2007. Associado ao forte aumento populacional, que exige um aumento substancial da produção de bens alimentares e lança desafios ao nível da produtividade no sector, há que ter, ainda, em conta a utilização de “commodities” agrícolas para a produção de biocombustíveis.

Para Michéal Ramirez, esta realidade abre oportunidades de investimento interessantes a dois níveis. Por um lado, através de empresas que fornecem produtos para a produção de alimentos e, por outro lado, em companhias na área da distribuição.

“Por um lado, vemos oportunidades nas empresas que fornecem produtos para a produção de comida, fornecem fertilizantes, sistemas de irrigação para ajudar os agricultores a produzir comida de forma mais eficiente”, explicou o responsável. Já do lado do consumo, Michéal Ramirez identifica bons investimentos em “companhias que estão a fornecer comida nos mercados emergentes e empresas envolvidas na distribuição”.

Apesar do momento conturbado que os mercados accionistas atravessam, o responsável considera que o “desequilíbrio na oferta a longo prazo” justifica o investimento no sector agrícola. “Tem que se produzir 17% mais comida do que produzimos hoje”, adiantou Michéal Ramirez.

Actualmente, as empresas de fertilizantes recolhem a preferência, devido aos desafios em termos de eficiência na produtividade e à procura crescente dos mercados emergentes. “Dado o crescimento da procura, particularmente de países como o Brasil, a procura de fertilizantes é forte e vai continuar a ser forte”, realçou o especialista.

No entanto, mais do que uma questão de produzir mais comida, o especialista alerta que o sector agrícola tem pela frente um desafio. Também tem que se pensar como responder às mudanças no consumo nos mercados emergentes, destaca.

Além disso,o sector depara-se com a necessidade de melhorar a eficiência na produção, o que exige um maior investimento em novas tecnologias agrícolas. De acordo com Michéal Ramirez, a produtividade na agricultura caiu de 2% para 1,3% nos últimos 20 anos, ao mesmo tempo que o limite de intensificação agrícola já foi atingido no mundo desenvolvido, desafios que favorecem a aposta em títulos de empresas do sector.

Em termos geográficos, o responsável está optimista para o continente asiático, apesar de os EUA serem a região que capta mais investimento no portefólio do fundo. Um factor justificado pela aposta em duas empresas americanas que se dedicam aos fertilizantes: a Potash Corporation of Saskatchewan e a CF Industries.

O milho e o óleo de palma são das matérias-primas que recolhem a preferência do gestor, actualmente. Também as margens dos frangos nos EUA deverão beneficiar com uma menor oferta, uma vez que “vai haver uma racionalização no fornecimento de frango nos EUA”.

Volatilidade vai continuar
Com o investimento centrado em acções de empresas do sector da agricultura, o património investido neste tipo de fundos está exposto às oscilações do mercado accionista. Perante a actual conjuntura, a negociação deverá permanecer marcada pelos elevados níveis de volatilidade, devido ao clima de instabilidade e incerteza nas bolsas.

Michéal Ramirez realça que “a volatilidade vai permanecer elevada”, enquanto não existir um plano concreto para conter a crise da dívida soberana. Porém, destaca que, a longo prazo, os fundamentais do investimento permanecem intactos, identificando espaço para valorizações.

Para o responsável, as acções de empresas ligadas ao sector agrícola são menos voláteis do que as matérias-primas agrícolas e gerou melhores retornos, ajustados ao risco. Apesar das quedas a 12 meses, a três anos o fundo rende mais de 12%.

Fundos de agricultura rendem mais de 16% a três anos

Os fundos que investem em acções do sector da agricultura registam desvalorizações nos últimos 12 meses. Ainda assim, a três anos estes produtos acumulam retornos superiores a 16%. A América do Norte é a região que capta mais investimento das carteiras.

em Jornal Negocios

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